Jane Fonda quer voltar a pôr-nos a mexer, desta vez em prol do planeta

A actriz, de 83 anos, pôs uma geração a fazer exercício em casa, com as suas cassetes VHS. Agora, volta a exortar ao movimento, mas para travar as alterações climáticas.

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Jane Fonda, ao centro, num protesto contra as alterações climáticas, em Fevereiro de 2020 EPA/ETIENNE LAURENT

O activismo não é novo para Jane Fonda. Na longínqua década de 1960, e apesar de ter crescido rodeada do patriotismo nacionalista do pai, Henry Fonda, veterano da Segunda Guerra Mundial, a actriz começou a questionar tudo o que tinha como certo até então. Corria o ano de 1968 e a América estava ao rubro com manifestações contra a Guerra do Vietname e com protestos pelos direitos civis. Nesse ano, Jane Fonda engravidou e aproveitou esse tempo para se debruçar sobre uma série de questões. Resultado: decidiu agir e tomar parte do movimento que apelava ao fim do conflito armado.

Não foi um percurso fácil, e várias das suas acções tiveram leituras dúbias. Foi o caso de quando visitou uma base inimiga vietnamita de artilharia aérea, perto de Hanói, e deixou-se fotografar com uma arma nas mãos, uma foto que se tornou célebre e que dividiu os norte-americanos, consagrando-lhe o epíteto de “Hanoi Jane”. Mas a actriz não baixou os braços e continuou a lutar por o que achava certo.

Depois, chegou a década de 1980, e, tal como tantos outros activistas, Jane Fonda relaxou. Pegou em si e transformou as nossas casas em ginásios, partilhando em vídeo os seus exercícios e dicas. O VHS Jane Fonda's Workout teve um sucesso estrondoso e ocupou um lugar entre a lista dos mais vendidos do The New York Times por dois anos seguidos.

A imagem activista de Jane Fonda esmoreceu, claro. Mas, quando ninguém suspeitava ainda poder contar consigo para pôr o mundo a mexer, a actriz saiu à rua pelo ambiente. No Outono de 2019, frustrada com a inacção dos políticos e inspirada por Greta Thunberg, Naomi Klein e estudantes em greve por todo o mundo, Jane Fonda mudou-se para Washington D.C., passando a liderar as manifestações semanais sobre as alterações climáticas no Capitólio. A 11 de Outubro, dia em que foi detida, lançou o Fire Drill Fridays (simulacro de incêndio das sextas-feiras), e desde então tem conduzido milhares de pessoas em desobediência civil não violenta.

“Este é o último momento possível da história em que mudar de rumo pode significar salvar vidas e espécies a uma escala inimaginável. É demasiado tarde para ser moderado”, escreve Jane Fonda no livro que lança esta terça-feira: em What Can I Do?: My Path from Climate Despair to Action, a actriz, que completa 84 anos em Dezembro, exorta os seus leitores a acordar para o iminente desastre das alterações climáticas e fornece as ferramentas para que se juntem a si nos protestos.

Paralelamente, Fonda descreve “a sua jornada profundamente pessoal como activista ao lado de conversas e discursos de importantes cientistas climáticos e organizadores comunitários inspiradores, e mergulha profundamente nas questões, tais como água, migração, e direitos humanos, para enfatizar o que está em jogo”, lê-se na apresentação da obra, editada pela Barnes & Noble e cujas receitas de direitas de autor serão direccionadas para a Greenpeace.