Miguel Miranda: “Já estamos a mexer com o clima ao mesmo nível que mexe a astronomia”

Presidente do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) desde meados de 2012, o geofísico Miguel Miranda tira nesta entrevista uma fotografia global ao clima do planeta, com um zoom a Portugal.

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O geofísico Miguel Miranda Rui Gaudêncio

A propósito do último relatório (o sexto) de avaliação do Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas (IPCC), o presidente do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) utiliza várias metáforas para a experiência geofísica que estamos a fazer ao clima da Terra. Uma bola de neve imparável, um avião a despenhar-se, um carro que não trava. “Estamos a reescrever no chão linhas vermelhas e estamos a passá-las continuamente”, alerta Miguel Miranda. “A descarbonização é claramente o maior desafio que globalmente a humanidade tem.” Sobre Portugal, o geofísico diz que devemos estar à espera de um clima mais seco e mais quente, mais ondas de calor ou mais furacões tropicais que atinjam os Açores e a Península Ibérica.