O “amigo oculto”: a Cuba de Fidel Castro e a Espanha franquista

O que é que Fidel Castro e Francisco Franco tinham em comum? Aparentemente (ou publicamente) nada. E, no entanto, nos bastidores, partilhavam uma admiração mútua. Na ressaca de um raro protesto contra o regime, olhemos para essa relação singular e para o futuro da narrativa socialista-comunista e revolucionária.

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Bettmann Archive/Getty Images

1. No Verão de 2021, Cuba volta a estar no centro das atenções internacionais devido aos grandes protestos anti-governamentais ocorridos na ilha. Para muitos, fizeram lembrar a enorme contestação popular do Verão de 1994 conhecida como “o Maleconazo”, por se ter desenrolado largamente no Malécon de Havana, o passeio marítimo da cidade. Todavia, mais de um quarto de século após essa contestação ao regime socialista-comunista cubano, os protestos actuais mostram diferentes contornos. Nos anos 1990, Fidel Castro — a figura central e mítica do regime cubano — usou o seu poder e prestígio para aplacar a situação. Hoje, cinco anos após a morte de Fidel Castro, é Miguel Díaz-Canel — que não tem similar aura mítica — quem ocupa o poder e tem a difícil tarefa de travar a contestação.