Carlos Prado é o novo director da Companhia Nacional de Bailado

Governo encontrou num colaborador da casa o sucessor da actual directora artística. Antigo bailarino e professor convidado, Carlos Prado inicia funções a 1 de Setembro.

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Carlos Prado, antigo bailarino e actual professor convidado da Companhia Nacional de Bailado (CNB), é o novo director artístico desta formação, a única ligada à dança na esfera do Ministério da Cultura. Sucede no cargo, que deverá ocupar pelo menos até Agosto de 2024, a Sofia Campos, que em Setembro termina o seu mandato de três anos. No comunicado que fez chegar às redacções com o nome do novo director, o Governo não explica por que razão decidiu não reconduzir Sofia Campos. 

O antigo bailarino assumirá, assim, a responsabilidade artística pela companhia onde começou a sua vida profissional em 1984, quando tinha pouco mais de 20 anos.

Nascido em Setúbal em 1962, Prado estudou na Academia de Dança Contemporânea da cidade, dirigida pelos históricos António Rodrigues e Graça Bessa, tornando-se solista da CNB, que então tinha como responsável artístico Armando Jorge. 

Nos seis anos em que integrou a companhia, até ser convidado por Jorge Salavisa para o elenco do Ballet Gulbenkian, Carlos Prado dançou bailados do reportório clássico e romântico, como O Lago dos Cisnes, Giselle, D. Quixote ou Coppélia, mas também peças de coreógrafos modernos e contemporâneos como George Balanchine, Kurt Joss e José Limón, entre outros.

Foi precisamente no universo da dança contemporânea que a sua carreira se desenvolveu a partir de 1990, ano em que entrou para o Ballet Gulbenkian como bailarino principal, formação de que só viria a desvincular-se quando esta foi extinta, em 2005.

Na Gulbenkian, Carlos Prado dançou em criações dos portugueses Vasco Wellenkamp e Olga Roriz, mas também nas de alguns dos mais reputados coreógrafos internacionais, com destaque para Hans van Manen, Mats Ek, William Forsythe, Ohad Naharin, Angelin Preljocaj, Tero Saarinen, Stijn Celis, Marie Chouinard ou Itzyk Galili.

Paralelamente ao seu percurso como intérprete, trabalhou a partir de 1991 como professor, começando a fazê-lo na escola onde se formara, a já referida Academia de Dança Contemporânea de Setúbal, que viria a dirigir em 2001. 

Com a inesperada extinção do Ballet Gulbenkian em 2005, o antigo bailarino tem vindo a colaborar como professor e ensaiador em várias companhias em Portugal e no estrangeiro, de que são exemplo a Companhia Portuguesa de Bailado Contemporâneo, o New York City Ballet e, naturalmente, a CNB, cuja direcção artística assumirá em breve.