Detenção de Joe Berardo: Ministério Público lamenta falta de meios de investigação no processo da Caixa

Na operação que levou à detenção do empresário Joe Berardo está a ser feita cerca de meia centena de buscas com a intervenção de 138 elementos da Polícia Judiciária, acompanhados de nove magistrados do Ministério Público, sete juízes de instrução criminal e 27 inspectores da Autoridade Tributária.

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Rui Gaudencio / Publico

O Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP) aproveita a nota que publica na Internet sobre a operação relacionada com uma investigação à concessão de créditos pela Caixa Geral de Depósitos (CGD), e que levou, nesta terça-feira, à detenção do empresário Joe Berardo e de um dos seus advogados, André Luiz Gomes, para lamentar a falta de meios. O DCIAP diz mesmo que a investigação só não foi mais célere devido à “carência de meios técnicos”.

“Não obstante o empenho e investimento do Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP) e da Procuradoria-Geral da República (PGR), bem como da Polícia Judiciária (PJ) e de toda a equipa na investigação do inquérito em curso e a gestão racional e eficaz que foi realizada dos meios à disposição de todos, não se logrou assumir a celeridade desejável, apenas por carência de meios técnicos e outros ajustados à natureza, dimensão e complexidade da investigação”, lê-se na nota que explica a dimensão da operação que está a ser levada a cabo.

“No âmbito de um inquérito dirigido pelo Ministério Público do Departamento Central de Investigação e Acção Penal, está em curso cerca de meia centena de buscas, sendo 20 domiciliárias, 25 não domiciliárias, três a estabelecimentos bancários e uma a escritório de advogado, tendo ainda sido emitidos dois mandados de detenção”, refere a mesma nota, que dá conta de que” estas diligências decorrem em vários locais do país, nomeadamente em Lisboa, Funchal e Sesimbra”.

O DCIAP sublinha ainda que “as diligências estão ser executadas pela PJ, com a intervenção de 138 elementos desta força policial, acompanhados de nove magistrados do Ministério Público, sete juízes de instrução criminal e 27 inspectores da Autoridade Tributária, a maioria dos quais foram alocados apenas para a concretização desta operação, não tendo a equipa de investigação do processo esta composição”.

Mais uma vez é referida a falta de meios, neste caso humanos, para um inquérito complexo em que se investigam matérias relacionadas com financiamentos concedidos pela CGD e outros factos conexos, “susceptíveis de configurar, no seu conjunto e entre outros, a prática de crimes de administração danosa, burla qualificada, fraude fiscal qualificada, branqueamento e, eventualmente, crimes cometidos no exercício de funções públicas”.