O insustentável peso do silêncio de Costa

Os partidos podem naturalmente discordar de decisões judiciais, mas devem ajudar a explicá-las e não ceder ao facilitismo de se tornarem caixas de ressonância do que pensam ser a direcção do vento.

Depois de analisadas algumas incidências jurídicas da leitura instrutória da Operação Marquês, impõe-se sobre ela reflectir politicamente. Presente o princípio da presunção da inocência, todos temos direito a uma opinião sobre o que foi sendo vazado para o público, por certo servindo objectivos da acusação ou da defesa. Alguma vez compraria alguma coisa a José Sócrates (JS)? Em especial depois de não ter sido capaz, uma única vez, de dar uma explicação cabal quanto à origem do dinheiro que não seja a anedótica histórica de um almanaque de 1943? Altivo, arrogante, vivendo “a sua verdade”, agarrando-se a ela tão desesperadamente como um náufrago, talvez até acreditando nela, o que é típico de alguns distúrbios mentais, JS é um animal político ferido de morte.