Presidente do PAICV demite-se depois da derrota nas legislativas de Cabo Verde

O MpD conseguiu 48,8% dos votos e obteve a maioria absoluta. Para o primeiro-ministro Ulisses Correia e Silva o resultado é uma “lição” para a oposição.

Foto
O actual primeiro-ministro de Cabo Verde e presidente do Movimento para a Democracia (MpD) proclamou a vitória nas eleições legislativas, na sede do partido, em Praia FERNANDO DE PINA/LUSA

O primeiro-ministro cabo-verdiano e líder do Movimento para a Democracia (MpD), Ulisses Correia e Silva, anunciou a vitória com maioria absoluta nas eleições legislativas em Cabo Verde, dizendo que se trata de uma “lição” para a oposição, avançou a Lusa. Perante a derrota, Janira Hopffer Almada anunciou a sua demissão de líder do histórico Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV).

Com 98,6% das mesas de voto apuradas e ainda quatro deputados por apurar, o MpD obteve 48,8% dos votos e 37 deputados, o suficiente para a maioria absoluta, segundo os dados oficiais. Com este resultado eleitoral, o líder do partido mantém-se no cargo de primeiro-ministro de Cabo Verde, que ocupa desde 2016.

O PAICV conseguiu 38,4% dos votos e 27 deputados, enquanto a União Cabo-verdiana Independente e Democrática (UCID) elegeu quatro deputados com 8,8% dos votos. A abstenção foi de 42,2%.

“A maioria absoluta é essencial, porque nós queremos ter estabilidade para governar” e “para continuar um bom trabalho: colocar Cabo Verde no caminho seguro para o desenvolvimento, colocar Cabo Verde mais resiliente”, disse Ulisses Correia e Silva, que entendeu a mensagem dos cabo-verdianos como “uma mensagem de compromisso para o futuro, (…) de confiança, (…) de rejeição também a um tipo de política que não deve fazer escola aqui em Cabo Verde”.

O primeiro-ministro disse que “houve perdedores”, porque trouxeram “muito pouco para o país”: “É uma lição para esta oposição, porque Cabo Verde precisa de uma oposição forte, mas responsável, com sentido de Estado”, criticou.

A par dos resultados, foram enunciadas as prioridades imediatas, num momento crítico da evolução da pandemia de covid-19 no país, nomeadamente a massificação da vacina contra a covid-19, para inocular mais de 70% da população até final do ano, de forma a defender a saúde e a economia; e a eliminação da “pobreza extrema em Cabo Verde”, através de “programas muito assertivos de retoma económica e protecção social”.

Demissão da presidente do principal partido de oposição

Em resposta à derrota do principal partido da oposição, a presidente do PAICV, Janira Hopffer Almada, anunciou o pedido de demissão da liderança do partido que deverá ser apresentado nos próximos dias. Não esclareceu, no entanto, se, mesmo deixando a liderança do partido, vai exercer funções enquanto deputada.

“Penso que na política sempre é preciso ser-se coerente e consequente e retiro, sim, consequências políticas dos resultados destas eleições, por isso, nos próximos dias apresentarei a minha demissão como presidente do PAICV aos órgãos do partido”, disse Almada citada pela Lusa, justificando a decisão por não encarar a política “como profissão”.

Questionada sobre o que correu mal, Almada respondeu não poder dizer, salientando que o partido tem “uma visão diferente, mas aquilo que importa é a visão do povo; nós temos que respeitar a visão do povo, que é sempre superior a todas as visões”. Também nas últimas eleições o PAICV perdeu para o MpD, quebrando uma governação de 15 anos.

Ainda assim, congratulou o MpD e Ulisses Correia e Silva pela vitória nas eleições, reconhecendo que “o povo é sempre soberano” e esperando que “Cabo Verde, de facto, tenha bons tempos na sua governação”.