Bielorrússia prende editores de media no regresso dos protestos

Mais de 34 mil pessoas foram detidas desde o início da vaga de manifestações iniciada com as eleições de Agosto, o maior desafio à liderança de Lukashenko em 27 anos de poder.

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A polícia deteve dezenas de pessoas que tentavam manifestar-se contra Lukashenko em Minsk Reuters

Três editores de grandes plataformas de media independentes da Bielorrússia foram detidos em Minsk este sábado a par de dezenas de outras pessoas que participavam em novos protestos contra Aleksander Lukashenko, no poder há 27 anos, acusado de ter manipulado o resultado das presidenciais de Agosto, que lhe deram 80% dos votos.

A praça da capital para onde foi marcada a manifestação de sábado à tarde estava cercada de viaturas da polícia e carrinhas das prisões e as estradas que lhe dão acesso foram fechadas, enquanto vários pequenos grupos de manifestantes se juntavam nas proximidades. A polícia deteve dezenas de pessoas na zona, mostram vídeos partilhados nos canais de media da oposição.

Entre os detidos estão Galina Ulasik e Anna Kaltygina, editoras da plataforma TUT.by, cujo canal na aplicação de mensagens Telegram é seguido por 400 mil pessoas. Outra plataforma, a Nasha Niva, com 90 mil leitores no Telegram, diz que o seu chefe de redacção, Yahor Martsinovich, também foi detido na praça, tal como um dos seus fotógrafos. Esta plataforma (com o nome de um dos mais antigos semanários da Bielorrússia), que partilha regularmente vídeos de detenções e da brutalidade policial gravados pelos seus seguidores, é uma importante fonte de informação sobre os protestos anti-governo.

Na sequência das eleições que a oposição disse terem sido fraudulentas e cujos resultados nem a União Europeia nem os Estados Unidos reconheceram, as manifestações passaram a ser semanais, apesar da repressão e das detenções em massa. Agora, depois de dois meses de alguma acalmia, os líderes da oposição voltaram a pedir aos bielorrussos para intensificarem de novo os protestos.

As autoridades avisaram ao início do dia que todos os que participassem em manifestações se arriscam a ser acusados criminalmente. E o Comité de Investigação de Minsk disse ter aberto um processo contra autores de posts no Telegram onde se apelava às pessoas para saírem à rua.

Dezenas de pessoas já tinham sido detidas na quinta-feira, durante um protesto relativamente pequeno organizado para coincidir com o “Dia da Liberdade, um aniversário não oficial que assinala a declaração de independência da Bielorrússia em relação à Rússia, em 1918.

Mais de 34 mil pessoas foram detidas desde o início desta vaga de manifestações, que reuniu centenas de milhares de pessoas e constitui o maior desafio à liderança de Lukashenko.