Condenado a 15 anos de prisão um dos assassinos da jornalista Caruana Galizia

Vincent Muscat confessou ter sido um dos responsáveis pela morte da jornalista de investigação maltesa em 2017.

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Memorial em honra de Daphne Caruana Galizia perto do local onde foi assassinada DARRIN ZAMMIT LUPI / Reuters

Um dos três homens acusados de assassinar a jornalista de investigação maltesa, Daphne Caruana Galizia, em 2017, foi condenado a 15 anos de prisão depois de ter confessado a autoria do crime em tribunal. A polícia acredita que o homicídio da jornalista foi encomendado por figuras de topo da política maltesa.

Vincent Muscat admitiu o seu envolvimento no homicídio de Galizia, morta em Outubro de 2017 numa explosão de um carro armadilhado perto de sua casa em Malta. Inicialmente, Muscat tinha declarado inocência, mas na sessão do julgamento esta terça-feira o seu advogado revelou que o homem iria alterar as suas declarações e confessar o crime.

Segundo a imprensa maltesa, Muscat fechou um acordo com a polícia para ser condenado a uma pena mais leve a troco do fornecimento de informações sobre o caso. Os outros dois homens acusados pelo homicídio de Galizia, os irmãos George e Alfred Degiorgio, mantiveram o silêncio em tribunal.

Um dia antes de Muscat alterar o seu testemunho, o primeiro-ministro maltês, Robert Abela, concedeu-lhe um perdão pela condenação noutro caso: o homicídio do advogado Carmel Chircop, morto em 2015. A pena foi perdoada depois de Muscat ter fornecido informações sobre o caso que permanece por resolver.

Há ainda um quarto acusado da morte da jornalista, o empresário Yorgen Fenech, suspeito de ter sido cúmplice do crime, mas que continua a dizer estar inocente. Fenech foi preso em Novembro de 2019 quando tentava fugir de Malta num iate.

A família da jornalista disse esperar que a condenação de Muscat “seja o início do caminho para a justiça total” do caso.

Caruana Galizia era uma das jornalistas mais relevantes de Malta, com uma carreira de 30 anos em que revelou vários casos de corrupção no mundo político do país. Por causa do seu trabalho, a jornalista era frequentemente ameaçada. Em 2017, publicou uma investigação em que ligava o então primeiro-ministro, Joseph Muscat (sem relação familiar com Vincent Muscat), ao escândalo dos Panamá Papers.

As investigações ao homicídio de Galizia precipitaram a demissão de Muscat, em 2019, depois de ver várias pessoas próximas de si envolvidas no crime.