Disseminação das novas variantes causa preocupações, diz ECDC

Desde 21 de Janeiro que os países da Europa observaram um “aumento substancial” no número e proporção de casos de SARS-CoV-2 da variante inicialmente detectada no Reino Unido.

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Partículas do coronavírus SARS-CoV-2 (a laranja) NIAID

Embora a maioria dos países da União Europeia esteja a ter uma diminuição dos casos de covid-19, a introdução e aumento das novas variantes do SARS-CoV-2 primeiramente identificadas no Reino Unido, na África do Sul e no Brasil “suscitou preocupações”, refere-se num relatório de avaliação de risco desta semana do Centro Europeu de Controlo de Doenças (ECDC, na sigla inglesa).

Num resumo sobre o relatório começa por destacar-se que se observou um declínio da incidência geral do SARS-CoV-2 nas recentes semanas e que, provavelmente, isso se deveu ao impacto de intervenções não-farmacológicas, como o confinamento. Mesmo assim, alerta-se: “A situação epidemiológica continua a ser ainda de grande preocupação na União Europeia/Espaço Económico Europeu, com a maioria dos países a ter ainda taxas de notificação elevadas ou crescentes em grupos mais velhos e/ou taxas de mortalidade elevadas.”

Apesar de a maioria dos países ver um declínio no número de infecções devido às tais medidas não-farmacológicas, há as novas variantes a suscitar preocupação: a do Reino Unido (linhagem B.1.1.7), da África do Sul (B.1.351) e do Brasil (P.1). Quanto à do Reino Unido, desde 21 de Janeiro que os países observaram um “aumento substancial” no número e proporção de casos de SARS-CoV-2 desta variante. A B.1.1.7 parece ser mais transmissível do que as variantes anteriormente em circulação e poderá causar uma infecção mais grave.

A Irlanda já reportou que esta é a variante em circulação dominante no país e, de acordo com as trajectórias de outros países, espera-se que muitos outros sigam um caminho semelhante nas próximas semanas. Muitos dos países onde a variante se tem tornado dominante (e aqui pode-se incluir Portugal) viram um rápido aumento da sua incidência, refere-se no documento. “Isto resultou no aumento de hospitalizações, sistemas de saúde sobrecarregados e excesso de mortalidade”, indica-se. “Há provas que apontam para uma potencial eficácia reduzida de algumas vacinas contra esta variante.”

No documento, faz-se referência às proporções da B.1.1.7 entre todos os casos sequenciados nas recentes semanas, indicadas pelos países europeus (que têm diferentes métodos): Dinamarca tem uma proporção de 27% dessa variante; França de 13,2%; Alemanha 5,6%; Irlanda 75%; Itália 17,8%; Países Baixos menos de 30%; Polónia 9%; Portugal 45%; Espanha entre 0,4 e 53%, dependendo da região; e Suécia 11%.

Também se tem reportado um aumento da variante da África do Sul na Europa. Esse aumento está frequentemente ligado a viagens e associado a surtos. Também esta linha está associada a uma maior transmissibilidade. Em Portugal, já foram detectados pelo menos dois casos associados a esta variante. Já a do Brasil tem sido reportada na Europa “em níveis mais baixos”. Até ao momento, em Portugal, só foram divulgados casos suspeitos

Quanto ao impacto da vacinação, embora esta já tenha começado em todos os países da União Europeia e tenha tido como prioritários grupos que tenha um maior risco de desenvolver doenças graves e profissionais de saúde ou outros trabalhadores na linha da frente, “ainda é demasiado cedo para se detectar o impacto na mortalidade ou nas hospitalizações da covid-19”, refere-se no relatório.

Concretamente sobre a quinta semana de 2021 e de acordo com os dados relatados pelos países ao projecto Euromomo (European Monitoring of Excessive Mortality), houve “um excesso de mortalidade substancial” em alguns países: Portugal, Países Baixos e Espanha. “O aumento do excesso de mortalidade está sobretudo a afectar pessoas com 45 anos ou mais.”

Deixa-se ainda um alerta: conforme já foi sugerido por protestos anticonfinamento recentes e distúrbios em algumas cidades europeias, “a fadiga pandémica pode afectar adversamente a contínua aceitação e cumprimento das medidas não-farmacológicas pela população”.