Mesmo depois de apelo de Costa, confinamento continua a ser “ligeiro”

A maior redução foi notada em deslocações de longas distâncias. De resto, “as rotinas dos portugueses não mudaram radicalmente” e trata-se de um “confinamento bastante distinto do da primeira vaga”, refere a consultora PSE.

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Porto Paulo Pimenta

O confinamento está a ser cumprido de “forma ligeira”: de segunda para terça-feira, a percentagem de pessoas que ficaram em casa passou de 40,9% para 41,4% – apesar do “puxão de orelhas” do primeiro-ministro, António Costa, para que as medidas sejam cumpridas, tal ainda não é visível nos dados de mobilidade. Os dados da consultora PSE, especializada em ciência de dados, revelam ainda que o confinamento aumentou 7,9 pontos percentuais da segunda para a terceira semana do ano.

De 14 para 19 de Janeiro, a quantidade de pessoas em confinamento em casa passou de 33% para 41% – no primeiro confinamento de Março do ano passado, o valor médio era de 65%. É “um nível real de confinamento bastante distinto do da primeira vaga”, considera a PSE. Poderá contribuir para estes níveis mais baixos o facto de as escolas permanecerem abertas e de haver mais excepções previstas para se sair de casa neste novo confinamento.

“Não é expectável que as novas medidas, anunciadas no final de dia 18, tenham um impacto relevante na redução da mobilidade nos dias úteis”, refere a consultora num relatório em que apresenta os dados da última semana. “A menos que exista uma alteração espontânea no comportamento da população”, admitem.

No que diz respeito ao nível de mobilidade, o valor esteve na segunda e na terça-feira a menos 22% do que os níveis registados antes da pandemia. Este índice de mobilidade é calculado com base em vários critérios: a população em circulação, as distâncias percorridas e os tempos de deslocação. “Não é aceitável que continue este movimento de pessoas. Impõe-se clarificar normas de restrição da circulação e alargar o quadro restritivo das medidas”, afirmava António Costa na segunda-feira, agradecendo aos portugueses que têm cumprido as regras.

A maior diminuição de mobilidade foi registada “na quantidade de pessoas que realizaram, num dia, deslocações superiores a 20 quilómetros”. A 12 de Janeiro, eram 33,1%; nesta terça-feira, eram 24,4%. Quanto às deslocações com distâncias até dez quilómetros por dia ou entre 10 e 20 quilómetros por dia, não há grandes mudanças. “O que nos diz que as rotinas dos portugueses, globalmente, não mudaram radicalmente.”

Confinamento ligeiro

Depois de ter sido decretado um novo confinamento – que entrou em vigor na sexta-feira, com medidas ainda mais apertadas a partir desta quarta-feira –, não houve uma descida significativa nos dados que ajudem a perceber se os cidadãos ficaram em casa ou se se afastaram do local de residência.

Já no primeiro dia do confinamento, os portugueses tinham cumprido de forma “muito ligeira” a orientação para ficar em casa, segundo os dados da PSE – houve uma redução, sim, “mas que nada se compara” com o primeiro confinamento. Só 39,5% dos portugueses estiveram confinados em casa na sexta-feira, primeiro dia do dever de recolhimento domiciliário anunciado pelo Governo – o que correspondia a um aumento de apenas nove pontos percentuais comparativamente com o início da semana. 

A PSE referia ainda que “no último mês de Dezembro os portugueses cumpriram bem o recolher obrigatório após as 23h”.

O estudo da PSE resulta de uma recolha de dados contínua (24 horas por dia) através da monitorização de localização e meios de deslocação, com recurso a uma aplicação móvel, de um painel de 3670 indivíduos representativos da população portuguesa com mais de 15 anos, residente nas regiões do Grande Porto, Grande Lisboa, Litoral norte, Litoral centro e distrito de Faro. Segundo a consultora, para um universo de 6.996.113 indivíduos residentes nas regiões estudadas, a margem de erro é de 1,62% para um intervalo de confiança de 95%.