Portugueses cumpriram ordem para ficar em casa de forma “muito ligeira”

Nesta sexta-feira, o primeiro dia do novo confinamento, só 39,5% dos portugueses estiveram confinados em casa. Durante o confinamento de Março e Abril, a média de pessoas que ficaram em casa foi de 61%.

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O primeiro dia de confinamento geral decretado pelo Governo no âmbito da pandemia de covid-19, em Lisboa MÁRIO CRUZ/LUSA

No primeiro dia de confinamento geral decretado pelo Governo no âmbito da pandemia de covid-19, os portugueses cumpriram de forma “muito ligeira” a orientação para ficarem em casa. A conclusão é da consultora PSE, especializada em ciências de dados, que destaca que se verificou esta sexta-feira uma redução da mobilidade em Portugal, “mas que nada se compara com o primeiro lockdown que sofremos”.

Na segunda-feira passada, 11 de Janeiro, 30,5% da população portuguesa ficou em casa — um nível apenas cinco pontos percentuais acima dos valores pré-pandemia. Já nesta sexta-feira, o primeiro dia do novo confinamento, só 39,5% dos portugueses estiveram confinados em casa — o que corresponde a um aumento de apenas nove pontos percentuais comparativamente com o início da semana. Na quinta-feira, a percentagem de portugueses em casa foi de 33% (menos de 6,5% em relação ao dia seguinte) e em mobilidade elevada foi de 31% (mais 4,7 pontos percentuais do que na sexta-feira). Importa referir que a mobilidade elevada corresponde a deslocações de mais de 20 quilómetros.

Os dados da PSE mostram ainda uma redução no índice de mobilidade dos portugueses (que reflecte a população em circulação, as distâncias percorridas e os tempos de deslocação), que se fixou esta sexta-feira no nível 82 — apenas 18 pontos percentuais inferior ao nível médio de um “dia normal antes da pandemia” (100). O nível 100 representa o valor da mobilidade média dos portugueses entre 1 de Janeiro e 14 de Março de 2020.

A consultora destaca, num relatório que confirma no essencial os dados que tinham sido avançados na sexta-feira, que nos dias 24 (noite de Natal), 28 e 31 de Dezembro (véspera de Ano Novo) do ano passado foi também registado um nível de mobilidade próximo do verificado esta sexta-feira.

Primeiro confinamento foi “muitíssimo superior”

Durante o primeiro confinamento, entre Março e Abril do ano passado, a média de pessoas que estiveram confinadas em casa foi de 61%, valor bastante superior aos 39,5% registados esta sexta-feira. O que leva a PSE a concluir que o primeiro confinamento em casa foi “muitíssimo superior ao nível que temos agora, pelo menos neste primeiro dia”.

Porém, adverte a consultora, “isso não quer necessariamente dizer que os portugueses não estão a cumprir as regras ditadas pelo Governo”. “Pode simplesmente ser a consequência das diferenças existentes nas restrições agora impostas, que são bastante diferentes da primeira situação. Em particular o tema da abertura das escolas e as aberturas adicionais que agora existem”, refere, salientando que será necessário analisar o efectivo cumprimento das normas nos próximos dias úteis para verificar o “feito real deste lockdown na mobilidade efectiva”, uma vez que “o fim-de-semana é um período onde naturalmente há maior confinamento”.

A PSE salienta ainda que “no último mês de Dezembro os portugueses têm cumprido bem o recolher obrigatório após as 23h”, tendo-se verificado, porém, “uma tendência de um menor cumprimento dessa norma às sextas-feiras”. Nesta sexta-feira passada, 15 de Janeiro, verificou-se já um aumento das pessoas que permaneceram em casa e um maior cumprimento do recolhimento ao lar.

O estudo da PSE resulta de uma recolha de dados contínua (24 horas por dia) através da monitorização de localização e meios de deslocação, com recurso a uma aplicação móvel, de um painel de 3670 indivíduos representativos da população portuguesa com mais de 15 anos, residente nas região do Grande porto, Grande Lisboa, Litoral Norte, Litoral Centro e Distrito de Faro. Segundo a consultora, para um universo de 6.996.113 indivíduos residentes nas regiões estudadas a margem de erro é de 1,62% para um intervalo de confiança de 95%.