Escolas não fecham no novo confinamento. Haverá “campanha permanente” de testes antigénio

António Costa apresentou as medidas do confinamento. Campanhas de testes de antigénio vão ajudar escolas a funcionar sem interrupções.

Foto
Reuters/PEDRO NUNES

Todas as escolas, desde o pré-escolar ao ensino pós-universitário, vão continuar abertas no novo confinamento, que começa na sexta-feira. O anúncio foi feito esta quarta-feira pelo primeiro-ministro, António Costa, no final do Conselho de Ministros.

“Vamos manter a escola em funcionamento e esta é a única, nova e relevante excepção” ao “dever de recolhimento generalizado”, disse o primeiro-ministro. Iremos manter em pleno funcionamento todos os estabelecimentos educativos, como têm estado a funcionar até agora”, acrescentou. Nesta decisão foram ouvidos os pais, encarregados de educação e directores escolares, garantiu.

Costa vincou a necessidade de “não voltar a sacrificar a actual geração de estudantes”. E anunciou ainda uma campanha de testes antigénio nas escolas para reduzir os riscos. “Sabemos desde o princípio que um dos factores que melhor nos têm permitido controlar a gestão da pandemia é termos adoptado uma política de testagem maciça. Gostaria de dizer que, relativamente às escolas, vamos acompanhar o funcionamento com uma campanha de testes de antigénio, de forma a podermos detectar casos de eventuais contaminados.”

Questionado sobre se a decisão sobre as escolas se manterem abertas não será reavaliada daqui a 15 dias, Costa afirmou que as escolas são “locais seguros” e que “os prós” desta medida “superam largamente os contras”, elogiando o funcionamento destes estabelecimentos durante o primeiro período lectivo.

“Relativamente às escolas, verificamos que o número de surtos foi diminuto e o número de casos reportados em universo escolar, que envolve 1 milhão e 200 mil pessoas, teve um peso pouco significativo. A escola é um local seguro e essencial ao processo de aprendizagem. Sabemos que o ensino presencial é fundamental para a aprendizagem e sabemos o que as crianças sofreram com a interrupção da actividade lectiva, não esquecendo todos os esforços dos professores para seguirem os seus alunos pelo telemóvel, computador, televisão. Nada substitui o ensino presencial. Entendemos que os prós claramente superam os contras. Não podemos sacrificar uma geração, que é a geração que nos dará continuidade”, sublinhou Costa.

“Dor colectiva”

Com excepção dessa medida, este novo confinamento repete, no essencial, os moldes do primeiro, na Primavera de 2020. É preciso “travar o crescimento da pandemia, salvar vidas, achatar a curva, proteger o Serviço Nacional de Saúde, apoiar os profissionais de saúde e que os portugueses se ajudem uns aos outros”, afirmou o chefe do Governo.

“Não há cansaço que nos permita assumir esta dor colectiva de continuarmos a ter mais de 100 mortes por dia, não é aceitável e temos de parar isto. A mensagem fundamental das decisões que tomamos é regressar ao dever de recolhimento domiciliário, tal como o tivemos em Março e Abril, quando travámos com sucesso a primeira vaga. Não nos foquemos na excepção, mas sim na regra. A regra é simples: cada um de nós deve ficar em casa”, disse.

O número elevado de mortos do último dia e as mais de cinco centenas desde domingo indicam que este é “um momento mais perigoso”.

“Quando hoje [quarta-feira] vimos uma senhora de 111 anos num lar em Gouveia a ser vacinada, isso acalenta-nos a esperança de saber que será possível vencer esta pandemia. Mas, ao mesmo tempo, quando tivemos mais 156 falecimentos, ontem mais 155, um total de 535 pessoas que morreram vítimas da covid-19 desde o passado domingo, percebemos que estamos num momento mais perigoso. Pior: o que torna este momento particularmente difícil é que a mesma esperança que a vacina nos dá de que podemos vencer a pandemia é a mesma que alimenta o relaxamento que a torna mais perigosa. Por isso, este é um daqueles momentos em que mais uma vez temos de nos mobilizar com sentido de comunidade – sabendo que o salvamento de cada um de nós depende do salvamento de todos nós”, alertou Costa.

Impacto económico

O primeiro-ministro relembra o “difícil equilíbrio” dos últimos meses feito entre o funcionamento da economia e o controlo da covid-19. Deixou claro, contudo, que neste momento a prioridade é baixar o número de casos e óbitos, não contestando os efeitos económicos adversos que este novo confinamento irá causar. 

“Cada vez que a pandemia nos obriga a limitar as actividades, a economia sofre duramente. Cada vez que a pandemia nos permite aliviar as restrições, a economia naturalmente evolui de forma mais positiva. Portanto, ansiamos todos para não temos de adoptar medidas mais restritivas. Procurámos ao longo destes meses que as medidas se concentrassem no fim-de-semana e não em actividades essenciais. Não podemos hesitar quando está em causa um crescimento da pandemia como estamos a viver. As medidas têm de ser adoptadas e quanto mais fortes mais rapidamente produzem efeito. Se me pergunta se vai haver um impacto negativo na economia? Vai seguramente”, respondeu a um jornalista.

Mais votos favoráveis

O Presidente da República decretou esta quarta-feira a modificação do estado de emergência em vigor, a partir de quinta-feira, e a sua renovação por mais 15 dias, até 30 de Janeiro, para permitir medidas de contenção da covid-19.

“A renovação do estado de emergência até às 23h59 do dia 30 de Janeiro, que acabo de assinar, depois de viabilizada, face à gravidade da situação, por mais de 90% dos deputados, tem um fim muito urgente e preciso: tentar conter e inverter o crescimento acelerado da pandemia, visível, nos últimos dias, em casos, internamentos, cuidados intensivos e, ainda mais, em mortos”, afirma Marcelo Rebelo de Sousa numa nota publicada no site da Presidência da República.

Também esta quarta-feira a Assembleia da República autorizou a declaração do estado de emergência com os votos favoráveis de PS, PSD, CDS-PP e PAN, uma maioria alargada face às votações anteriores realizadas em Novembro, Dezembro e no início deste mês, em que apenas socialistas e sociais-democratas tinham votado a favor.

A Direcção-Geral da Saúde (DGS) anunciou esta quarta-feira que a covid-19 fez mais 156 mortes e 10.556 casos em Portugal, novos máximos diários. Desde o início da pandemia, o país soma 8236 mortes e conta já mais de 500 mil casos identificados (507.108).

O número de mortes ultrapassa o máximo diário registado no dia anterior (155 esta terça, valor relativo a segunda-feira), enquanto o número de casos suplanta os 10.176 notificados no boletim de 8 de Janeiro – nesse dia registou-se ainda um máximo de mortes até então (118), bem como valores recorde de internamentos e doentes em unidades de cuidados intensivos. Com Lusa