Jovens médicos com covid-19 têm de esperar mais um ano pelo acesso à especialidade

Prova Nacional de Acesso realizada esta segunda-feira não tem segunda chamada. Foram criadas salas especiais onde fez o exame quem estivesse em isolamento profiláctico. Estavam inscritos cerca de 2800 licenciados em Medicina.

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Manuel Roberto

Os jovens médicos que tenham faltado à Prova Nacional de Acesso (PNA), realizada esta segunda-feira, por estarem infectados com covid-19 terão que esperar mais um ano para aceder à especialidade clínica. O exame que serve para seriar os licenciados em Medicina não prevê uma segunda chamada. Já as pessoas que estavam em isolamento profiláctico puderam responder à prova, em salas especiais e desde que tivessem feito um teste ao novo coronavírus.

O regulamento do exame de acesso à especialidade médica não prevê uma segunda chamada, pelo que os licenciados em Medicina que tenham covid-19 (ou outra doença) não têm uma nova oportunidade para fazer a prova. Questionada pelo PÚBLICO, a Administração Central do Sistema de Saúde (ACSS) remeteu para o conteúdo do Plano de Contingência aprovado para a realização da PNA 2020 onde se estabelece que “os candidatos que não reunirem os requisitos (…) não serão considerados elegíveis”. Ou seja, estes jovens clínicos terão que esperar pela prova do próximo ano para poderem aceder à especialidade. Entretanto, podem optar por ingressar no internato de formação geral, que corresponde ao antigo ano comum.

No ano passado também “não houve segunda chamada”, recorda o presidente do Gabinete da Prova Nacional de Acesso, Serafim Guimarães. Este ano serão “muito poucos” os médicos nesta situação, avança o mesmo responsável, com base nas informações recolhidas nesta segunda-feira. No entanto, só na próxima quinta-feira a ACSS divulga o número de faltas registadas na PNA 2020. Estavam inscritos na prova cerca de 2800 licenciados em Medicina – no ano passado tinham sido 2587.

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A Prova Nacional de Acesso é o exame que veio substituir o antigo "Harrison", que terminou há dois anos teresa pacheco miranda

A possibilidade de uma segunda chamada na PNA foi afastada “por motivos financeiros e logísticos”, assegura a presidente da Associação Nacional de Estudantes de Medicina, Mar Mateus da Costa. A ACSS tem que arrendar os espaços de realização das provas e a operação implica ainda a contratação de vigilantes, correctores e o desenvolvimento de vários enunciados da prova, sendo depois escolhido aleatoriamente aquele a que os jovens médicos respondem.

Ao contrário do que aconteceu com os licenciados que tenham contraído covid-19, a ACSS, em articulação com a Direcção-Geral de Saúde, acabou por criar uma solução, que inicialmente não estava prevista, para quem estivesse em isolamento profiláctico por ter tido um contacto de alto risco com um caso “positivo” do novo coronavírus. Nessas situações, foi possível realizar o exame desde que o jovem médico estivesse assintomático e apresentasse um teste negativo realizado até 48 horas antes da prova.

Essas pessoas foram encaminhadas para uma sala especial, em que o distanciamento entre lugares foi alargado e reforçadas as medidas de protecção para os inscritos e os vigilantes da prova. Devido à pandemia, a PNA deste ano realizou-se em instalações diferentes do habitual: o Europarque, em Santa Maria da Feira, para os médicos do Norte, as Cases de Coimbra, para os clínicos do Centro, e a Feira Internacional de Lisboa, para quem é do Sul. A prova realiza-se também nos Açores e na Madeira. Foi necessário encontrar edifícios de maior dimensão para garantir o distanciamento físico entre os inscritos.

Esta solução não era viável para os casos positivos por covid-19, porque a lei só permite que pessoas doentes se movimentem para receber tratamento médico, não prevendo outras excepções.

A PNA decorreu pela segunda vez com o actual modelo, que substituiu o antigo “Harrisson” como forma de selecção para acesso à especialidade. Segundo Serafim Guimarães, "foi feito um esforço” para adaptar a prova às críticas feitas pelos jovens médicos no ano passado, que a consideram demasiado longa, mesmo tendo em conta que têm quatro horas para responder ao enunciado.