Europa prepara medidas para permitir as celebrações possíveis no Natal

Restrições para conter a disseminação do vírus têm sido prolongadas na maioria dos países europeus, que começam a admitir alguma abertura nas próximas semanas para permitir a celebração de um “Natal que não será normal”.

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Mulher de máscara caminha junto a uma árvore de Natal na Oxford Street, em Londres Reuters/SIMON DAWSON

Em Novembro, e quando ainda falta mais de uma semana para o final do mês, a Europa já ultrapassou a marca de quatro milhões de casos de SARS-CoV-2 (desde o início da pandemia, são mais de 15 milhões) e, só na última semana, morreram mais de 29 mil pessoas devido à covid-19 – números preocupantes que têm levado a medidas de confinamento mais rigorosas de país para país.

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Em Novembro, e quando ainda falta mais de uma semana para o final do mês, a Europa já ultrapassou a marca de quatro milhões de casos de SARS-CoV-2 (desde o início da pandemia, são mais de 15 milhões) e, só na última semana, morreram mais de 29 mil pessoas devido à covid-19 – números preocupantes que têm levado a medidas de confinamento mais rigorosas de país para país.

Quando falta pouco mais de um mês para o Natal, os governos europeus preparam-se para tomar medidas decisivas nas próximas semanas para travar a propagação do coronavírus, numa tentativa de permitir as celebrações possíveis.

A Alemanha, muito elogiada pela robustez do seu serviço nacional de saúde, bateu o recorde no número de infecções na passada sexta-feira ao registar 23.648 novos casos, tendo ainda atingido um máximo de pessoas internadas em unidades de cuidados intensivos – 3615, um aumento de 13% nos últimos dois meses.

O Governo alemão, que impôs um confinamento parcial, com os bares e restaurantes fechados e as viagens e contactos sociais limitados ao indispensável, sublinha que, para já, o país apenas conseguiu estabilizar o número de novas infecções, apesar dos números muito elevados, e é expectável que o número de internados continue a aumentar, levando a que o o sistema de saúde possa colapsar nas próximas semanas, caso não seja possível achatar a curva.

Recentemente, o ministro da Saúde alemão, Jens Spahn, admitiu que não vê com bons olhos a possibilidade de “grandes casamentos, aniversários ou festas de Natal a acontecerem em Dezembro ou em qualquer outra altura do Inverno”.

Perante esta situação crítica, o país assiste a um aumento dos protestos contra as medidas de restrição, tendo a polícia dispersado uma manifestação de milhares de pessoas, desde membros de movimentos anticiência a seguidores de teorias da conspiração ou militantes de extrema-direita, junto ao Parlamento alemão na passada quarta-feira.

Apesar de muitos hospitais estarem no limite devido ao número de internados, o confinamento em França começa a dar resultados, e, segundo as autoridades sanitárias, o país pode ter ultrapassado a pior fase desta segunda vaga, tendo as novas infecções diminuído 40% na última semana e as hospitalizações 13%.

No entanto, a França – que já ultrapassou os dois milhões de infectados desde o início da pandemia - continua a registar mais de 20 mil novos casos de coronavírus diários.

O Presidente francês, Emmanuel Macron, vai falar ao país na próxima terça-feira e os media franceses admitem que possa haver algum relaxamento nas medidas, apesar de ser expectável que a maioria das restrições impostas no final de Outubro continue em vigor. A reabertura de muitas lojas consideradas não-essenciais a partir de 1 de Dezembro é uma das possibilidades, admitida pelo primeiro-ministro, Jean Castex.

Espanha, que impôs um estado de emergência para os próximos seis meses no final de Outubro, também começa a assistir a um impacto positivo do confinamento e, de acordo com o presidente do Governo espanhol, Pedro Sánchez, há duas semanas consecutivas que o número de novas infecções tem vindo a diminuir a “um ritmo sustentado”.

Em Madrid, a região mais afectada pela pandemia no país, registam-se actualmente menos de 300 infecções por cada 100 mil habitantes, quando, em Setembro, chegaram a registar-se mais de 800.

O governo regional de Madrid, que pretende testar todos os madrilenos antes do Natal, recorrendo aos testes rápidos de antigénio, vai fechar as fronteiras a outras regiões entre 4 e 10 de Dezembro, para evitar deslocações motivadas pelo fim-de-semana prolongado, devido aos feriados do Dia da Constituição (6 de Dezembro) e da Imaculada Conceição (8 de Dezembro).

Na Catalunha, a partir da próxima segunda-feira, muitos bares e restaurantes vão reabrir e, para o Natal, a região pretende que as celebrações, entre 21 de Dezembro e 3 de Janeiro, tenham um máximo de dez pessoas por agregado familiar, com um recolhimento obrigatório entre as 22h e as 6h.

Restrições podem ser aliviadas

Na sexta-feira, dia em que Itália registou mais de 37 mil casos de SARS-CoV-2, o Governo italiano decidiu renovar as restrições nas regiões mais afectadas até 3 de Dezembro, data em que se espera um novo ponto da situação, com o executivo a admitir a reabertura das lojas e restaurantes tendo em vista a época natalícia, apesar da proibição dos tradicionais mercados de Natal.

As 20 regiões do país estão divididas por zonas, mediante a gravidade da situação epidemiológica, com as chamadas “zonas vermelhas”, como Calábria, Lombardia ou Piemonte, com confinamentos parciais em que os bares, restaurantes e a maioria das lojas estão encerradas, com as pessoas a poderem sair de casa apenas em situações consideradas essenciais.

No Reino Unido, onde as medidas variam mediante o país, com Inglaterra a sob confinamento nacional que vigora até 2 de Dezembro, o número de infecções tem vindo a diminuir – 19.875 no sábado, abaixo da média de 25/30 mil registadas na semana passada.

Por esse motivo, o ministro da Saúde, Matt Hancock, admitiu que as medidas podem ser aliviadas, apesar de reiterar que “não será um Natal normal”.

Na sexta-feira, a Escócia aumentou as restrições nas zonas mais afectadas, com as lojas não-essenciais, cabeleireiros ou ginásios a encerrarem, medidas semelhantes às implementadas pela Irlanda do Norte, que impôs um confinamento curto de duas semanas – que já tinha sido aplicado no País de Gales em Outubro.

Polónia “reabre”, Finlândia recua

A pensar no Natal e na economia, o primeiro-ministro polaco, Mateusz Morawiecki anunciou este sábado que os centros comerciais vão reabrir na Polónia durante a próxima semana, medida que surge duas semanas depois de o país ter ordenado o encerramento de salas de espectáculos e lojas não-essenciais.

Moraweiwcki disse que “estas decisões podem salvar centenas de milhares de empregos”, mas apelou à “disciplina” e adiantou que o Governo está a preparar novas medidas para restringir a circulação de pessoas.

Este sábado, a Polónia registou mais de 24 mil casos de SARS-CoV-2. O executivo disse que, caso as infecções ultrapassem a média de 27 a 29 mil durante a próxima semana, poderá ser imposta uma “quarentena nacional”.

Em sentido inverso, a Finlândia, um dos países europeus que menos restrições tem implementado para conter a disseminação do vírus, vai aplicar novas medidas a partir da próxima segunda-feira.

Apesar de a média de infecções nas últimas duas semanas ser das mais baixas da Europa – 58 por cada 100 mil habitantes – as autoridades sanitárias estão preocupadas com o aumento de infecções na capital e, por isso, o Governo decidiu proibir os ajuntamentos com mais de 20 pessoas em Helsínquia.