Covid-19: OMS defende necessidade de manter as escolas abertas

Director da OMS para a Europa sublinha que as crianças e adolescentes não são impulsionadores principais do contágio e que o fecho de escolas não é eficiente.

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OMS defende a necessidade de manter as escolas abertas Daniel Rocha

A Organização Mundial de Saúde (OMS) defendeu esta quinta-feira a necessidade de manter as escolas abertas durante a pandemia de covid-19 e considerou que podem evitar-se os confinamentos se forem aumentadas as medidas de protecção.

“Devemos assegurar o ensino aos nossos filhos”, afirmou o director da OMS para a Europa, Hans Kluge, sublinhando que as crianças e adolescentes não são impulsionadores principais do contágio e que o fecho de escolas não é eficiente.

Kluge frisou também que os confinamentos são “uma perda de recursos” e que provocam muitos efeitos secundários, como danos na saúde mental ou aumento da violência de género. De acordo com o mesmo responsável, esta medida seria evitável se o uso de máscaras fosse superior a 90% entre a população.

Ter mantido a maioria das escolas abertas na Europa durante quase 100 dias seguidos é considerado um motivo de satisfação, já que o encerramento pode afectar também a saúde mental dos jovens e ter consequências sociais.

Apesar de o uso de máscara não ser “um remédio”, e de dever ser completado com outras medidas, quando se verifica uma utilização inferior a 60%, é “difícil evitar confinamentos”, disse, em conferência de imprensa online, em Copenhaga, sede do escritório regional da OMS.

A defesa da abertura das escolas e do uso de máscaras para evitar os confinamentos foram duas das mensagens centrais de Kluge, que classificou como uma “grande esperança na luta contra o vírus” as notícias surgidas nos últimos dias sobre avanços em vários ensaios de vacinas para a covid-19.

A OMS reafirmou ainda a importância de todos os países terem acesso às futuras vacinas. “A vacina é muito importante, mas não é uma fórmula milagrosa”, referiu Kluge, aludindo à necessidade de a completar com outras medidas de protecção.

A Europa registou mais de 15,7 milhões de casos, 28% de todo o mundo e mais de quatro milhões só em Novembro, enquanto as mortes rondam as 350.000, ou seja, 26% do total.

Mais de 80% dos países notificaram uma incidência elevada de novos casos (mais de 100 por cada 100.000 habitantes) nos últimos 14 dias, e em um terço registaram-se mais de 700 óbitos por 100.000 habitantes.

“Nas últimas duas semanas, as mortes por covid-19 aumentaram 18%. Na semana passada, a Europa registou mais de 29.000 novas mortes, o que significa uma pessoa a cada 17 segundos”, informou Kluge.

A segunda vaga do novo coronavírus provocou também “indícios crescentes” relacionados com sistemas sanitários sobrelotados em França e na Suíça, entre outros.

Kluge destacou, porém, que o número de novos casos na Europa baixou de dois milhões há duas semanas para 1,8 milhões nos últimos sete dias, uma descida atribuída ao comportamento responsável dos cidadãos.

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