Venezuela: Leopoldo López fugiu do país e já chegou a Espanha

Vontade Popular diz que o seu líder vai “coordenar novas iniciativas em prol da liberdade na Venezuela”.

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Leopoldo Lopéz CARLOS GARCIA RAWLINS/Reuters

Não se deixou ver, por isso não há fotografias ou declarações. Um dos principais líderes da oposição venezuelana, Leopoldo López, que no ano passado ensaiou um golpe militar contra o Governo de Nicolás Maduro, fugiu do país e chegou ao meio-dia deste domingo a Madrid, em Espanha.

No Twitter, Juan Guaidó, que com ele protagonizou a fracassada insurreição, ridicularizou Maduro e o seu aparelho de segurança, que não detectou a fuga. “Maduro, não controlas nada”, escreveu num tweet. “Enganando o aparato repressivo, conseguimos tirar do país  o nosso Comissário para o Centro do Governo, Leopoldo López”.

López estava desde o ano passado na embaixada espanhola em Caracas, refugiando-se ali para não regressar à prisão – foi considerado culpado pela violência dos protestos de 2014 contra o Governo, em que morreram mais de 40 pessoas, e condenado a quase 14 anos de prisão, tendo em 2017 passado para o regime de prisão domiciliária.

O seu partido, o Vontade Popular (centro-direita), confirmou a fuga, mas não foram dados pormenores sobre a operação que aconteceu apesar da vigilância dos serviços de segurança à embaixada espanhola na capital venezuelana.

Sabe-se que López saiu da embaixada sexta-feira e apanhou no sábado na Colômbia o avião que o levou a Madrid. E a oposição venezuelana, citada pelo jornal El País, diz que na sequência da fuga foram detidas duas pessoas, um funcionário venezuelano da embaixada e uma empregada da família López.

Os serviços de segurança venezuelanos fizeram ainda um “reconhecimento” num edifício onde residem funcionários da embaixada espanhola.

As prisões e as buscas levaram o Governo espanhol a esclarecer que López saiu por “decisão pessoal e voluntária” e a condenar “detenções de pessoal da sua embaixada” e “buscas em domicílios de pessoal, ou actos que suponham o incumprimento das obrigações da Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas”.

Sabe-se que do aeroporto – onde o esperavam jornalistas, mas não saiu pela porta habitual dos passageiros – López foi para casa da família. A sua mulher, Lilian Tintori, e o seu pai, o empresário Leopoldo López Gil, já vivem em Madrid.

O opositor deixou uma mensagem aos apoiantes no Twiter: “Venezuelanos, esta decisão não foi fácil, mas estejam seguros de que podem contar com este vosso servidor para lutar seja onde for”.

Na prisão e na prisão domiciliária, Leopoldo López manteve a actividade política, tendo coordenado o trabalho de Juan Guaidó, ao lado de quem surgiu na tentativa de revolta militar falhada. Guaidó assumiu o protagonismo da revolta contra Maduro e o seu Governo, e enquanto presidente da Assembleia Nacional com maioria da oposição proclamou-se Presidente, invocando a Constituição, sendo na altura reconhecido por mais de 50 países, entre eles Portugal.

O movimento anti-Maduro perdeu, entretanto, ímpeto. E num comunicado, o Vontade Popular disse que López vai anunciar nos próximos dias o que pretende fazer para “coordenar novas iniciativas e prol da liberdade na Venezuela”.

A sua fuga acontece a um mês das eleições legislativas na Venezuela, que a oposição vai boicotar.

López viu a sua actividade política ser travada por Espanha enquanto esteve na embaixada. O ministro dos Negócios Estrangeiros de Madrid, Josep Borrell (agora chefe da diplomacia da União Europeia) disse que Espanha não permitiria que a sua embaixada fosse usada como centro da oposição.

Borrell disse também na altura que Espanha não entregava López às autoridades venezuelanas, mas que se o opositor quisesse pedir asilo político teria que o fazer em território espanhol e não na embaixada.

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