TikTok cria site a desmentir Presidente dos EUA. E Trump cria conta em site rival

O TikTok tem de encontrar uma compradora norte-americana até Novembro — a Oracle juntou-se à corrida. Pelo caminho tem de equilibrar processos em tribunal, acusações de Donald Trump e empresas rivais.

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A TikTok tem até Novembro para encontrar um comprador nos EUA Reuters/Danish Siddiqui

A rede social TikTok lançou um novo site dedicado, unicamente, a desmentir informação da administração do Presidente dos Estados Unidos sobre a segurança dos seus serviços.

Lançado esta segunda-feira, o site TikTokus.info surge numa altura em que a empresa está a tentar encontrar um comprador norte-americano para evitar ser proibida nos EUA (onde tem 80 milhões de utilizadores) com base em receios de espionagem por Pequim. A Microsoft e, mais recentemente, a Oracle (uma empresa norte-americana especializada em software e hardware), estão entre as potenciais interessadas.

“A TikTok não está disponível da China”, “os dados dos EUA são armazenados no estado da Virgínia”, e a “TikTok nunca deu dados nenhuns ao governo chinês” são algumas das afirmações destacadas do novo site que cita especialistas entrevistados por vários jornais internacionais e descreve-se como “o último sítio soalheiro da Internet”.

Donald Trump não está a ler. Enquanto a TikTok tenta lutar contra as afirmações do Presidente dos EUA, o líder norte-americano anunciou a criação de uma conta na Triller, uma rede social rival criada em Nova Iorque em 2015 que, apesar de menos popular, oferece os mesmos serviços: partilhar microvídeos virais, frequentemente ao som de música popular. No primeiro vídeo, que soma 18,4 milhões de visualizações, Trump rebate os argumentos da TikTok ao descrever-se como “um profissional em tecnologia”.

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Trump criou uma conta no rival Triller

Depois da Huawei, a TikTok tornou-se a mais recente tecnológica presa na guerra comercial entre os Estados Unidos e a China. No início de Agosto, o secretário de Estado norte-americano, Mike Pompeo, anunciou que o país iria iniciar uma campanha para restringir aplicações chinesas a funcionar no país com base em preocupações de segurança nacional. A TikTok, que é actualmente detida pela gigante chinesa ByteDance, com sede em Pequim, é uma das afectadas.

Pouco depois, Trump assinou uma ordem executiva a decretar que a rede social deixaria de funcionar nos EUA em 45 dias a não ser que fosse comprada por uma empresa norte-americana. De acordo com o documento, há “evidências credíveis” de que a ByteDance está a usar o TikTok para espiar nos EUA e que a rede social “capta, automaticamente, enormes quantidades de informação dos utilizadores” incluindo “dados de localização, e histórico de pesquisa.”

Desde então, o prazo foi adiado mais 45 dias (12 de Novembro é a nova data limite) para facilitar a venda.

A TikTok e os seus trabalhadores nos EUA já anunciaram que querem levar Donald Trump e a administração a tribunal com base nas alegações. O advogado Mike Godwin, que está a representar os trabalhadores, diz que o foco não será desafiar os riscos de cibersegurança, mas proteger os interesses dos trabalhadores norte-americanos que temem ficar sem salário caso a TikTok não consiga encontrar um comprador até Novembro.

Em entrevista à revista Wired, o fundador da Microsoft Bill Gates (que deixou o conselho de administração da empresa há anos) descreve o TikTok como um “cálice envenenado”. “Ser-se grande no negócio das redes sociais não é coisa fácil”, justificou Gates. “Acho que o facto de o jogo [das redes sociais] estar a tornar-se mais competitivo [nos EUA] é bom. Mas ter o Trump a matar o único competidor é bizarro.”

Por ora, desconhecem-se os valores em discussão no processo de venda e não se sabe se a Casa Branca apoia mais a tentativa de compra da Microsoft ou da Oracle. O fundador da Oracle, Larry Ellinson, é um dos magnatas que apoiou, abertamente, a corrida de Donald Trump à casa branca. Já o fundador da ByteDance, Zhang Yimmin, é um antigo engenheiro da Microsoft.

O actual acordo de venda da TikTok inclui apenas as operações da rede social nos EUA, China, Nova Zelândia, Austrália e Canadá. As operações no resto do mundo continuariam a ser controlados pela ByteDance.