BCP congela dividendos e compensa trabalhadores com mil euros

Banco reforçou balanço com 133,9 milhões de euros face “aos potenciais impactos e à incerteza associada à situação de pandemia”. Acções seguem a perder 0,55% no arranque da sessão.

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Miguel Maya é o presidente do BCP. LUSA/JOÃO RELVAS

O BCP tomou a decisão de não distribuir dividendos aos seus accionistas este ano, ao contrário do que estava previsto. De acordo com o comunicado enviado pelo banco ao regulador do mercado de capitais, a CMVM, na noite de quinta-feira, esta medida foi tomada devido “aos potenciais impactos e à incerteza associada à situação de pandemia”. Isto apesar de o banco não ter neste momento “limitações regulatórias específicas em matéria de distribuição de dividendos”.

A medida será apresentada na assembleia geral que se realizará no dia 20 de Maio. A ideia é que 13,9 milhões sejam canalizados para reserva legal, e outros 120 milhões sejam resultados transitados. Esta proposta, diz o comunicado, “visa garantir que o banco esteja mais preparado para fazer face ao presente contexto de incerteza”, onde se inclui a aceitação de moratórias por seis meses de juros e capital de clientes afectados pelo impacto do novo coronavírus (medida aprovada pelo Governo e que abrange todo o sector).

De acordo com a equipa de gestão liderada por Miguel Maya, a ideia é retomar a política de dividendos que estava em vigor “uma vez ultrapassada a crise” e “na medida em que o banco e a economia nacional iniciem a sua recuperação”.

As acções do banco seguiam a perder 0,55% no arranque da sessão, em linha com o PSI-20 (-0,53%). As principais praças europeias também estão no “vermelho”, depois de três dias de subidas.

Trabalhadores recuperam rendimentos

O conselho de administração deliberou também dar continuidade à compensação monetária dos trabalhadores que aceitaram reduzir os salários entre Junho de 2014 e Junho de 2017, no âmbito da anterior crise. O processo tem sido faseado, com o objectivo de, recorda o BCP, permitir “a entrega de um valor global acumulado pelo menos igual ao valor total não recebido nesse período”.

Agora, a ideia é distribuir até mil euros por trabalhador, que, “não tendo já sido integralmente compensado com os resultados distribuídos em 2019, se mantiver em funções na data de pagamento da remuneração correspondente a Junho de 2020”, até ao valor máximo global de 5,28 milhões de euros.