Calçado vê “com muito bons olhos” medidas de apoio à indústria

APICCAPS diz ser “natural” que algumas empresas possam vir a ter de encerrar temporariamente.

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APICCAPS criou um serviço de informação diária aos associados Adriano Miranda

O sector do calçado vê “com muito bons olhos” as medidas de apoio apresentadas hoje pelo Governo, considerando que criam condições para que as empresas mantenham a actividade e garantam o emprego, apesar do impacto da pandemia.

“Ainda carecem de algum detalhe técnico, mas globalmente parecem-nos medidas muito positivas e interessantes, que vão ao encontro daquilo que as empresas desejavam e que a própria associação propôs ao Governo nas últimas semanas”, afirmou o director de comunicação da Associação Portuguesa dos Industriais do Calçado, Componentes, Artigos de Pele e Seus Sucedâneos (APICCAPS), Paulo Gonçalves, em declarações à agência Lusa.

Afirmando ver “com muito bons olhos” as medidas delineadas pelo executivo, os industriais do calçado destacam a importância de se “criarem condições para que, passando este período crítico, as empresas estejam saudáveis e consigam manter os seus postos de trabalho, para aproveitarem as oportunidades que seguramente surgirão”.

Segundo Paulo Gonçalves, actualmente “não há ainda muitas empresas fechadas” no sector do calçado devido à Covid-19, mas “é natural” que algumas possam vir a ter de encerrar temporariamente: “Não está a acontecer um fecho massivo de empresas no sector, nem me parece que isso eventualmente venha a acontecer, mas estamos na expectativa do que o Presidente da República vai anunciar hoje”, disse, numa alusão à eventual declaração do estado de emergência no país.

De acordo com o responsável da APICCAPS, vivendo-se actualmente um momento de transição entre as colecções de Outono/Inverno e Primavera/Verão, “este pode até ser o momento com menos impacto negativo em caso de fecho” das empresas: “Se tiverem de fechar, mais vale que o façam agora do que mais tarde”, considerou.

Para auxiliar o sector a enfrentar a situação gerada pela pandemia de Covid-19, a APICCAPS diz ter criado há cerca de 15 dias um “gabinete anticrise” que mantém um contacto regular com as empresas do sector, prestando aconselhamento jurídico e informação técnica, nomeadamente no que se refere à nova legislação relativa ao layoff (suspensão temporária do contrato de trabalho) simplificado.

“A partir de hoje criamos também um serviço de informação diária aos nossos associados -- a newsletter The shoes must go on --, no âmbito do qual todos os dias as empresas recebem informações sobre o que se passa no país e no mundo, porque o setcor exporta praticamente toda a produção e precisa de saber, a todo o momento, o que se passa com os seus parceiros internacionais”, disse Paulo Gonçalves.

Segundo salienta o director de comunicação da APICCAPS, “neste momento de grande indefinição, as empresas precisam de estar muito informadas para que, mal este período crítico passe, possam estar preparadas para responder aos desafios dos mercados internacionais”.

O Governo anunciou hoje um conjunto de linhas de crédito para apoio à tesouraria das empresas no montante total de 3000 milhões de euros, destinadas aos sectores mais atingidos pela pandemia Covid-19, com um período de carência até ao final do ano e que podem ser amortizadas em quatro anos.

Na indústria, em particular têxtil, vestuário, calçado, indústria extractiva e da fileira da madeira, o ministro da Economia, Pedro Siza Vieira, anunciou uma linha de 1300 milhões, sendo 400 milhões de euros destinados a micro e pequenas empresas.

Segundo foi hoje anunciado pelo executivo, as empresas vão ter ainda a acesso a uma moratória, concedida pela banca, no pagamento de capital e juros, e as contribuições para a Segurança Social serão reduzidas a um terço em Março, Abril e Maio, “por forma a preservar o emprego”.

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