Alemanha: Governo diz que tem bazuca para salvar a economia

Governo alemão providencia financiamento ilimitado às empresas colocadas em dificuldades pelo coronavírus.

Olaf Scholz, ministro alemão das Finanças, e Peter Altmaeir, ministro alemão da Economia
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Olaf Scholz, ministro alemão das Finanças, e Peter Altmaeir, ministro alemão da Economia LUSA/HAYOUNG JEON

Depois do aviso do BCE de que teriam de ser os governos a responder à crise económica trazida pelo coronavírus, o governo alemão apresentou esta sexta-feira o seu pacote de medidas, deixando de lado a modéstia na hora de classificar a sua dimensão.

“Isto é uma bazuca e nós vamos utilizá-la para fazer tudo o que for preciso”, disse o ministro das Finanças Olaf Scholz, usando expressões normalmente associadas às intervenções com que o Banco Central Europeu tenta estimular a economia.

A principal medida do plano apresentado em Berlim é a disponibilização por parte das autoridades alemãs de linhas de financiamento ilimitadas às empresas atingidas pelos efeitos do novo coronavírus. Este financiamento será providenciado pelo KfW, o banco de desenvolvimento público alemão, sem “qualquer limite máximo definido para o valor a emprestar”.

Para além disso, o Executivo alemão irá também permitir o diferimento no pagamento de impostos às empresas em dificuldades, mais uma forma de garantir que não se fazem sentir problemas de liquidez na maior economia da zona euro.

O governo alemão, pela voz de Angela Merkel, já tinha, nos dias anteriores, dado mostras de abandonar temporariamente a sua política orçamental restritiva para responder à crise, sinalizando-se por exemplo que a regra de um défice zero poderia ficar suspensa.

Esta sexta-feira, quando questionado sobre se a política de défice zero estava ameaçada, Scholz disse que “não é completamente implausível que seja necessário dinheiro adicional” no orçamento.

Para além das medidas agora apresentadas, a Alemanha já tinha avançado com apoios directos aos trabalhadores e empresas afectads e um reforço do investimento durante os próximos quatro anos.

Ainda assim, numa clara tentativa de convencer os mais cépticos relativamente à verdadeira dimensão do estímulo orçamental, Peter Altmaeir, o ministro da Economia conseguiu ainda superar o seu colega das Finanças nos elogios ao plano apresentado, classificando-o como “o mais completo e efectivo plano de assistência e de garantias que já existiu numa crise” e algo “sem precedentes na história do pós-guerra da Alemanha”.

Esta sexta-feira, a Comissão Europeia apresentou a sua primeira estimativa para o impacto do coronavírus na economia europeia, afirmando que, em vez do crescimento de 1,4% projectado inicialmente para 2020, a UE pode vir a contrair-se 1%.

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