Erdogan diz que operação militar turca em Idlib está “iminente”

O Presidente turco disse-o depois de dois dias de negociações com a Rússia não terem resultado numa solução política que trave a escalada militar no noroeste da Síria.

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Não é a primeira vez que o Presidente turco ameaça ordenar aos militares turcos que avancem contra as forças sírias LUSA/TURKISH PRESIDENT OFFICE HANDOUT

O Presidente turco, Recep Erdogan, ameaçou esta quarta-feira lançar até ao final do mês uma operação militar em Idlib, no noroeste da Síria, se as forças de Bashar al-Assad não recuarem para lá das linhas dos postos de observação turcos. A ameaça segue-se a dois dias de negociações sem “resultado satisfatório” com a Rússia. 

“Uma operação [militar] em Idlib está iminente”, disse Erdogan aos deputados do seu partido, o AKP. “Já estamos em contagem decrescente, estamos a fazer os últimos preparativos. Não vamos deixar Idlib para o regime [sírio], que não entende a determinação do nosso país”. 

As ameaças do Presidente turco sobre a situação no noroeste da Síria tornaram-se comuns nas últimas semanas, a par e passo com escaramuças entre as forças turcas e as sírias de Bashar al-Assad, e esta acontece depois de dois dias de negociações entre representantes turcos e russos, em Moscovo, não terem chegado a um “resultado satisfatório”. Tudo indica que as suas palavras são mais para fortalecer a posição turca à mesa das conversações do que o assumir de uma posição irreversível, aproveitando o impasse para reforçar as suas posições militares no terreno.

“Não aceitámos o documento e o mapa que nos foi apresentado”, disse o porta-voz de Erdogan, Ibrahim Kalin, citado pela Associeated Press. A Turquia, prosseguiu, vai continuar a enviar reforços turcos para Idlib, tal como “tem feito nas últimas semanas”. Já a Rússia vai alternando entre as opções militares e as diplomáticos para permitir a Damasco conquistar cada vez mais terreno até se chegar a acordo

A Turquia quer um cessar-fogo imediato para travar a ofensiva síria e que as forças de Assad regressem às linhas delimitadas em 2018, num acordo entre Ancara e Moscovo, intermediado pelo Irão. O acordo de 2018 teve como objectivo evitar, à semelhança do que está a acontecer no Nordeste da Síria desde Dezembro, uma ofensiva síria contra o último bastião dos jihadistas, muitos dos quais apoiados pela Turquia. 

Ancara teme que o continuar da ofensiva, que já obrigou 900 mil civis a fugirem da província de Idlib, aprofunde a catástrofe humanitária ao levar ainda mais civis a dirigirem-se para o seu território, depois de o país já ter acolhido 3,6 milhões de refugiados sírios, pelos quais é financiado pela União Europeia

A acontecer um choque directo entre a Turquia e a Rússia, será um dos mais graves confrontos entre potências em nove anos de guerra na Síria. “Se estamos a falar de uma operação contra as legítimas autoridades da República Síria e suas Forças Armadas, este seria, como é óbvio, o pior cenário”, disse o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov. 

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