Estado comprou colecção de arte do BPN e vai instalá-la em Coimbra durante 25 anos

Operação custou cinco milhões de euros e a ministra da Cultura vai apresentar as 196 obras que integram a colecção esta terça-feira no Forte de Sacavém.

Graça Fonseca no debate do Orçamento de Estado no Parlamento
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Graça Fonseca no debate do Orçamento de Estado no Parlamento José Sena Goulão/Lusa

A colecção de arte do antigo BPN comprada pelo Estado vai ficar instalada em Coimbra durante os próximos 25 anos, pelo menos, revelou ao PÚBLICO o presidente da Câmara Municipal de Coimbra, Manuel Machado.

A compra por cinco milhões de euros desta colecção constituída por cerca de 200 obras, com o objectivo de criar um novo centro de arte na cidade, foi anunciada pela ministra da Cultura em entrevista ao Observador, publicada esta segunda-feira.

Se Graça Fonseca, na mesma entrevista, já tinha anunciado Coimbra como destino, é agora Manuel Machado quem esclarece qual será a nova morada do futuro centro. Numa primeira fase, a colecção ficará instalada na Rua Ferreira Borges, num edifício de quatro pisos propriedade da autarquia e próximo do Arco de Almedina.

O objectivo, explicou o autarca, “é tornar a exposição visitável o mais rapidamente”, esperando Manuel Machado mostrar a colecção ao público já esta Primavera. O acordo de 25 anos é renovável.

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Numa segunda fase, a colecção será instalada no antigo edifício da Manutenção Militar, actualmente sem ocupação. As futuras instalações terão de sofrer profundas obras de remodelação.

DGPC avaliou colecção

O Ministério da Cultura comprou as 200 obras à Parvalorem e à Parups, as entidades públicas criadas para gerir os activos tóxicos do antigo BPN. É a segunda vez que o Estado adquire obras provenientes do BPN a estas empresas tuteladas pelo Ministério das Finanças, uma vez que a colecção Miró, comprada por 54,4 milhões de euros em 2018, também estava nas suas mãos (actualmente está depositada no Museu de Serralves, no Porto).

Por isso, será o ministro das Finanças, Mário Centeno, que estará terça-feira de manhã ao lado de Graça Fonseca na cerimónia que transfere as obras para a esfera da Direcção-Geral do Património Cultural (DGPC), responsável pela gestão das colecções de arte do Estado.

Na mesma entrevista ao Observador, Graça Fonseca afirmou que antes desta aquisição as quase 200 obras foram sujeitas a uma avaliação realizada pela DGPC.

O trabalho de avaliação da DGPC, soube o PÚBLICO, terá passado por rectificar o valor pedido pelas 196 obras (até agora os números apontavam para a existência de 194 ou 195), descendo o preço de algumas dezenas de peças. Contactada pelo PÚBLICO, a Parvalorem remeteu todas as informações para o Ministério da Cultura.

O gabinete da ministra, por seu lado, adiou mais esclarecimentos para a assinatura do protocolo que terá lugar esta terça-feira às 10h30 no Forte de Sacavém, em Loures.

Tal como o PÚBLICO noticiou em Agosto de 2018, a colecção tinha para a Parvalorem um preço de mercado de aproximadamente 5,4 milhões de euros.

Recorde-se que três anos antes, em 2015, a mesma empresa tinha anunciado a sua intenção de colocar este acervo do BPN à venda, tendo o Governo PSD-CDS chegado a negociar a compra. Na altura, no entanto, o Estado disponibilizou-se apenas a adquirir 46 obras por um milhão de euros, uma operação que ficaria por concretizar.

O acervo agora comprado pelo Estado inclui obras de arte de portugueses de diferentes gerações, na sua maioria contemporâneos, embora nele se inclua um pequeno retrato do modernista Amadeo de Souza-Cardoso.

Do naipe dos mais de 80 artistas nacionais representados fazem ainda parte Maria Helena Vieira da Silva, Joaquim Rodrigo, Paula Rego, Helena Almeida, Jorge Martins, Nikias Skapinakis, Júlio Pomar, Julião Sarmento, Fernando Calhau, Cruzeiro Seixas, Álvaro Lapa, José Pedro Croft ou nomes mais jovens como João Pedro Vale e Vasco Araújo. Entre os 31 estrangeiros estão históricos como Antoni Tàpies e Sonia Delaunay.

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Entre as obras mais significativas está "Voyage d’Hiver" (1961), um óleo de Vieira da Silva

Entre as obras mais significativas está Voyage d’Hiver (1961), um óleo de Vieira da Silva, desde Novembro de 2015 em depósito no museu lisboeta com o nome da artista portuguesa e do seu marido, o pintor húngaro Arpad Szenes. Foi cedida na companhia de outro óleo de Vieira e de um de Arpad, ambos sem título, o primeiro de 1955 e o segundo de 45. Resta saber se ficarão em Lisboa ou serão transferidos para Coimbra.

Voyage d’Hiver, contemporânea do famoso La Mer, que pertenceu à colecção Jorge de Brito e que o Estado adquiriu em 2017 num lote de seis pinturas, é uma “peça importantíssima” para o museu, diz agora ao PÚBLICO a sua directora, Marina Bairrão Ruivo, optimista quanto à permanência da obra.

A cidade de Coimbra e o Convento de São Francisco chegaram a estar anunciados como destino da colecção de fotografia contemporânea do Novo Banco, numa revelação feita pelo próprio primeiro-ministro António Costa em 2018. Um ano depois, porém, Graça Fonseca ainda não tinha decidido a quem entregar esta colecção com 1000 obras de 300 autores de quase 40 países, com muitos dos mais importantes artistas a trabalhar com fotografia nos séculos XX e XXI.

Falta também saber o destino da Colecção Ellipse (ex-BPP), com 800 obras e descrita como a mais importante colecção privada de arte contemporânea em Portugal. Sobre a questão das obras de arte por localizar da chamada Colecção SEC, a ministra disse na mesma entrevista estar concluído o inventário que começou a ser feito em 2017 pela DGPC e que mais de 90 obras dessa colecção continuam por localizar, a maioria das quais desde 1992. Segundo a ministra, os resultados do relatório serão remetidos para o Ministério Público para investigação. 

Com Lucinda Canelas e Sérgio C. Andrade