Trará o dinheiro felicidade? Multimilionário japonês doa um milhão de yens a seguidores no Twitter numa “experiência social”

Yusaku Maezawa é conhecido pelos seus gostos hedonistas, mas também pelas suas preocupações sociais. Agora, o multimilionário japonês quer pôr o seu país a debater o Rendimento Básico Incondicional.

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Maezawa será um dos primeiros turistas espaciais a voar até à Lua no SpaceX de Elon Musk Toru Hanai/Reuters

O empresário japonês, Yusaku Maezawa, fundador de um dos maiores site de venda a retalho de moda no Japão, vai doar um milhão de yens (8270 euros) aos seus seguidores na rede social Twitter naquilo que o próprio designa como uma “experiência social”, com a qual pretende saber se o dinheiro irá aumentar os níveis de felicidade dos contemplados.

A oferta será sorteada entre aqueles que seguem Maezawa e que “retuitaram” o seu post de dia 1 de Janeiro. Posteriormente, o impacte da oferta será medido através de sondagens regulares. “Trata-se de uma experiência social séria”, declarou Maezawa num vídeo no YouTube, acrescentando que espera atrair o interesse de académicos e de economistas​.

Maezawa, que será um dos primeiros turistas espaciais a voar até à Lua no SpaceX de Elon Musk (o milionário encomendou uma viagem na qual levará um pequeno grupo de artistas ao único satélite natural da Terra), é conhecido pelos seus gostos dispendiosos, gastando fortunas em arte e em automóveis, mas também pelas suas reflexões sobre um mundo sem dinheiro e o impacte deste nas vidas das pessoas.

O empresário, que ocupa o 22.º lugar na lista dos homens mais ricos do Japão, com uma fortuna estimada em 1800 milhões de dólares (1618 milhões de euros), associou a oferta à ideia de Rendimento Básico Incondicional (RBI), uma teoria que passa por defender o pagamento de um valor periódico aos cidadãos que percam o emprego em resultado da automatização de inúmeros processos na produção. Esta ideia tem ganhado força entre vários círculos políticos e é apoiada pelo candidato presidencial democrata dos EUA, Andrew Yang. Em Portugal, o tema tem sido amplamente debatido, tanto por personalidades de partidos à esquerda como à direita.

“‘Básico’ significa uma quantidade mínima regular que oferece uma sensação de segurança; o que Maezawa está a oferecer é totalmente diferente”, considerou o economista do Instituto de Investigação para a Vida Dai-ichi, Toshihiro Nagahama, citado pela Reuters. Porém, Maezawa defende-se, alegando que, uma vez que “tem dinheiro e tempo disponíveis” para efectuar os pagamentos, sentiu a necessidade de inspirar um debate mais alargado sobre as vantagens daquela teoria no Japão.