Azeredo Lopes arrola António Costa como testemunha

À comissão de inquérito a Tancos, o primeiro-ministro referiu indícios de que a PJM queria ocultar o achamento do furtado à Judiciária.

José Alberto Azeredo Lopes
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António Costa e Azeredo Lopes aquando da substituição deste no Ministério da Defesa Nuno Ferreira Santos

O ex-ministro da Defesa Nacional Azeredo Lopes arrolou como testemunha o primeiro-ministro, António Costa, no Requerimento de Abertura de Instrução ao processo de Tancos.

Para além do chefe do Governo, entre as outras oito testemunhas constam os nomes do seu antigo chefe de gabinete, tenente-general Martins Pereira, e o actual e anterior chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, respectivamente almirante Silva Ribeiro e general Pina Monteiro, segundo o Observador.

No despacho do Ministério Público, o antigo titular da Defesa é acusado de quatro crimes – denegação de justiça, prevaricação, abuso de poder e favorecimento – relativos ao encobrimento da operação levada então a cabo pela Polícia Judiciária Militar (PJM) no denominado achamento do material roubado dos paióis de Tancos.

Em 20 de Maio, nas respostas por escrito à comissão parlamentar de inquérito, António Costa manifestou a sua convicção de que Azeredo Lopes nunca vira o memorando dos responsáveis da PJM que foi entregue ao seu chefe de gabinete, quando confrontado com o documento em reunião com primeiro-ministro, a 12 de Outubro de 2018. Naquele mesmo dia, o antigo ministro apresentou a sua demissão, que foi aceite.

Da leitura do memorando, Costa referiu que o objectivo descrito era a recuperação do material roubado em Tancos e de preservar a identidade de um informador. E também anotou indícios de que a PJM procurou ocultar a operação à Polícia Judiciária.

Por fim, o primeiro-ministro garantiu aos deputados não ter tido conhecimento oficial do despacho de 2017 da então procuradora-geral da República, através do qual Joana Marques Vidal atribuía à Judiciária a investigação do assalto a Tancos.

Já no requerimento apresentado esta terça-feira, o ex-ministro nega os fundamentos da acusação, afirmando estarem baseados em preconceitos, desconhecimento, omissões e falsidades. Pelo que reitera a sua inocência e, mais uma vez, manifesta a esperança de a poder comprovar na fase de instrução e, assim, que o processo não vá a julgamento.

Afirmando ter sido condenado na praça pública, Azeredo Lopes é peremptório. Em nenhuma circunstância da investigação judicial, nas condições de testemunha ou arguido, ou na comissão parlamentar de inquérito faltou à verdade, nem mentiu ou ocultou factos relevantes.

Para além do ex-ministro, tornado arguido pelo alegado encobrimento dos contactos da PJM com os autores materiais do roubo para a recuperação do furtado sem consequências, são acusados pelo Ministério Público outros 22 arguidos.

Destes, nove são suspeitos de terem planeado e executado o furto do material militar e outros 13 respondem pela alegada encenação na base da recuperação do material, que envolveu a antiga cúpula da PJM, oficiais e militares da aérea de investigação criminal da GNR.