Expectativa de acordo comercial anima mercados

EUA e China dão sinais de que a assinatura do acordo comercial “fase um” está para perto e a expectativa é a de que isso possa vir a ajudar a economia.

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Reuters/Kevin Lamarque

Os sinais cada vez mais evidentes de que a assinatura de um acordo comercial entre os Estados Unidos e a China pode estar para próximo está, durante esta segunda-feira, a contribuir para uma subida das bolsas europeias que esperam também ouvir ao fim do dia a nova presidente do Banco Central Europeu a reafirmar a intenção de manter uma política monetária expansionista.

O ambiente nos mercados, que durante o Verão foi por diversas vezes abalado pelo receio de uma escalada do conflito comercial entre duas das maiores potências económicas mundiais e pelos sinais de abrandamento vindos de várias regiões do globo, parece nas últimas semanas ter melhorado. E esta segunda-feira esteve particularmente positivo.

Durante a manhã desta segunda-feira, os principais índices bolsistas europeus registaram subidas em torno de 1% face ao fecho da semana passada. A bolsa de Frankfurt, uma das que mais tem sofrido com os receios de uma guerra comercial e de uma recessão na Alemanha, subiu 1,2% nas primeiras horas da sessão. As bolsas em Nova Iorque voltaram, por seu turno, a renovar recordes, perante estes sinais, tendo o índice industrial subido 1% para o seu máximo histórico, também impulsionado pelos mais recentes dados sobre o fulgor da economia dos EUA.

O motivo por trás destes resultados é, de acordo com os analistas, a série de declarações de responsáveis políticos (tanto nos EUA como na China) a darem sinais de que a assinatura de um acordo comercial pode estar para breve. É o chamado acordo “fase um” porque, perante a impossibilidade de chegar a um entendimento em relação a determinadas questões, Washington e Pequim optaram por limitar as negociações a áreas em que um acordo é possível, limitando desta forma os danos económicos e políticos que a manutenção de um conflito poderiam ter.

Existem sinais de que uma cerimónia de assinatura deste acordo “fase um” pelos presidentes dos dois países possa ser realizada em território norte-americano (provavelmente num dos Estados em que os agricultores estão a ser mais afectados pela guerra comercial) ainda durante este mês.

A acalmia na frente comercial pode gerar, esperam os investidores no mercado, um ambiente mais favorável para a economia. E, neste particular, a economia alemã, fortemente dependente das suas exportações e que está em risco de entrar em recessão, pode sair beneficiada.

Para além disso, em relação a um potencial conflito comercial entre os EUA e a Europa, o ambiente também ficou mais desanuviado depois de este fim-de-semana o secretário do Comércio dos EUA, Wilbur Ross, ter dito que poderia não ser necessário agravar as taxas alfandegárias sobre os automóveis, na sequência das conversas que tinha tido com diversos produtores europeus e asiáticos. As acções do sector automóvel europeu estiveram particularmente positivas, com o índice sectorial a subir mais de 3% durante a manhã.

Na Europa, outro motivo de expectativa esta segunda-feira é a primeira intervenção pública de Christine Lagarde desde que assumiu o cargo de presidente do Banco Central Europeu. A francesa irá discursar em Berlim numa conferência de homenagem ao antigo ministro das Finanças alemão Wolfgang Schäuble.

O evento em que Lagarde se estreia a discursar como presidente do BCE parece ter sido escolhido a dedo, já que dificilmente se poderia encontrar uma melhor ocasião para dar início a um maior diálogo com aqueles que mais têm criticado, dentro da zona euro, a política seguida pelo banco central durante o mandato de Mario Draghi. Na plateia estarão certamente os políticos e economistas alemães que têm acusado a política expansionista do BCE de estar a penalizar em demasia os aforradores e de premiar os Estados europeus menos disciplinados do ponto de vista orçamental.

No entanto, aquilo que se está à espera é que, mesmo querendo dar passos no sentido de uma conciliação, Christine Lagarde acabe por reiterar a intenção de prolongar a política seguida pelo BCE nos últimos anos, mostrando-se disponível para manter durante muito mais tempo o programa de compra de dívida em funcionamento e as taxas de juro a níveis ultra-baixos. 

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