Uma perturbação na Força: autores de A Guerra dos Tronos abandonam nova trilogia Star Wars

Contrato com a Netflix falou mais alto. Trilogia de D.B. Weiss e David Benioff ia ser o capítulo seguinte da valiosa marca criada por George Lucas.

Weiss e Benioff na estreia mundial da última temporada de <i>A Guerra dos Tronos</i> em Nova Iorque
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Weiss e Benioff na estreia mundial da última temporada de A Guerra dos Tronos em Nova Iorque Caitlin Ochs/REUTERS

A próxima trilogia Star Wars, o franchise de cinema multimilionário da Disney/Lucasfilm, ficou sem autores depois de, na madrugada desta terça-feira, D.B. Weiss e David Benioff terem abandonado a equipa. Os autores da versão televisiva de A Guerra dos Tronos iam fundar a próxima era da criação de George Lucas e o primeiro dos seus projectos estava previsto para 2020, mas a Netflix falou mais alto.

“Adoramos Star Wars. Quando George Lucas o construiu, também nos construiu”, dizem Weiss e Benioff num comunicado citado na imprensa norte-americana a propósito da notícia avançada pelo site Deadline. “Falar com ele e com a actual equipa de Star Wars foi a emoção das nossas vidas e seremos para sempre devedores da saga que mudou tudo. Mas só há 24 horas num dia e sentimos que não podíamos fazer justiça a Star Wars e aos nossos projectos Netflix. Por isso lamentavelmente afastamo-nos.”

Apesar da reacção crítica ao final que escreveram para a popularíssima série A Guerra dos Tronos, Weiss e Benioff são dos nomes mais poderosos na autoria audiovisual actual - e por isso mesmo iam criar uma nova trilogia Star Wars, como foi anunciado em Fevereiro de 2018; foram contratados pela Netflix já após A Guerra dos Tronos, em Agosto deste ano, por 225 milhões de dólares, para criar e supervisionar novos programas durante os próximos cinco anos.

Foram requisitados também pela Amazon e pela Disney, lembra a revista Variety, e ficaram com a líder de mercado Netflix à porta de uma nova era no streaming em que o estúdio de Mickey vai competir por subscrições com novos e velhos serviços como a HBO Max ou a Apple TV+.

Agora, abandonam aquele que seria o seu projecto seguinte e deixam a Lucasfilm, a produtora de Star Wars vendida por George Lucas à Disney, sem um plano público para o seu futuro.

Star Wars: A Ascensão de Skywalker é o último filme da saga fundadora da série cinematográfica e estreia-se a 19 de Dezembro em Portugal. O plano era ter uma nova saga nos cinemas a 16 de Dezembro de 2022, com os filmes seguintes a estrear em 2024 e 2026.

“David Benioff e Dan Weiss são contadores de histórias incríveis. Esperamos incluí-los na nossa viagem mais à frente quando eles puderem tirar tempo da sua ocupada agenda para se focarem em Star Wars”, disse noutro comunicado a presidente da Lucasfilm, Kathleen Kennedy (que estará em Lisboa a 7 de Novembro na Web Summit).

Desde a aquisição de Star Wars pela Disney em 2012 estrearam-se quatro filmes da saga com receitas de bilheteira de cerca de quatro mil milhões de euros. Estão em preparação novos filmes, nomeadamente a trilogia criada por Rian Johnson, o realizador de Os Últimos Jedi (2017), e um projecto ainda pouco conhecido em desenvolvimento por Kevin Feige — o produtor responsável pelo sucesso dos filmes Marvel (também pertencentes à Disney).

Fica assim em aberto quem ficará com a tarefa de relançar o franchise depois do final das trilogias Skywalker e perante os resultados em quebra dos filmes mais recentes. Esta saída volta a trazer alguma instabilidade a este mundo depois do despedimento em 2017 de Colin Trevorrow, que seria o realizador do filme que agora está entregue a J.J. Abrams, Star Wars: A Ascensão de Skywalker, e, meses antes, de outro despedimento: o da dupla Phil Lord e Chris Miller, que abandonaram o que viria a ser o filme menos visto e rentável do universo Star Wars, Solo: Uma História Star Wars, que foi depois entregue ao veterano Ron Howard.

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