Mais e mais filmes: os autores de A Guerra dos Tronos vão criar novos Star Wars

O novo conjunto de filmes é independente dos nove episódios principais da saga e também da trilogia não-Skywalker anunciada em 2017. Na televisão, há também projectos de várias séries de acção real.

Os produtores executivos da série Guerra dos Tronos, galardoada com 16 Emmy
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Os produtores executivos da série A Guerra dos Tronos, galardoada com 16 Emmy Reuters/MIKE BLAKE

Para David Benioff e Daniel B. Weiss, a vida continua depois de Westeros. A dupla de showrunners da série A Guerra dos Tronos vai escrever e produzir um novo conjunto de filmes para a saga Star Wars, avançou a Disney esta terça-feira. Esta nova série de filmes será independente dos episódios principais da saga Skywalker, conjunto de três trilogias com fim previsto para 2019, mas também da nova trilogia que Rian Johnson vai desenvolver. É a galáxia muito, muito distante a expandir-se sem limites. 

“David e Dan são uns dos melhores contadores de histórias no activo actualmente”, afirmou a presidente da Lucasfilm, Kathleen Kennedy, produtora dos filmes Star Wars, num comunicado citado pela Variety. "O seu controlo sobre personagens complexas, a profundidade da história e a riqueza da mitologia irão abrir novos caminhos e desafiar [a saga] Star Wars de formas que acho incrivelmente entusiasmantes", concluiu.

“No Verão de 1977 viajámos para uma galáxia muito, muito distante e ficámos a sonhar com ela desde então”, afirmaram Benioff e Weiss em comunicado. “Ficamos honrados pela oportunidade, um bocadinho apavorados pela responsabilidade e muito entusiasmados para começar a trabalhar assim que a temporada final de A Guerra dos Tronos esteja completa”.

Ainda não há data de estreia prevista para nenhum destes novos filmes se sabe nem quantos serão. Em Novembro, a Disney antecipava o sucesso de Star Wars: Os Últimos Jedi com uma manifestação de confiança no realizador desse oitavo capítulo da saga Skywalker: Rian Johnson irá desenvolver toda uma nova trilogia, já independente da família de Luke e Leia, para continuar a expandir a galáxia criada por George Lucas. Mas agora, esse caminho é ainda mais amplo.

Com este anúncio, a Disney continua a rentabilizar os cerca de 4 mil milhões de dólares que pagou pela Lucasfilm e sua propriedade intelectual, prometendo não só os filmes stand-alone, independentes das trilogias que desde 1977 alimentam os fãs, mas agora novas trilogias e novos filmes deste mundo ficcional. "Serão focados num ponto no tempo na mitologia Star Wars e partirão daí", disse o CEO da Disney, Bob Iger, sobre estes novos filmes. 

A profusão de planos Star Wars preocupa alguns espectadores-peritos. Chris Taylor, editor do site Mashable e autor de How Star Wars Conquered the Universe, escreveu em reacção: "Nenhum destes projectos tem uma razão irresistível para existir no universo fílmico Star Wars [que não seja] mais do que 'mais Star Wars' ou 'estes tipos fizeram esta outra coisa fixe'", preocupa-se. A Hollywood Reporter questiona-se, por seu turno, se esta não será uma forma de abandonar os planos de mais filmes independentes das trilogias, que se têm revelado turbulentos e de onde já três realizadores foram despedidos. "Poderá ser a desculpa de que a Lucasfilm precisa para emprateleirar os stand-alones para uma data posterior, quando a máquina já funcionar melhor - ou, pelo menos, não avariar de forma tão pública?"

Actualmente, o universo Star Wars conta com oito filmes da saga original (1977-2017) e terminará a terceira trilogia Skywalker com o nono capítulo, o Episódio IX a 20 de Dezembro de 2019, tendo já estreado o independente Rogue One em 2016 e preparando-se para estrear a 25 de Maio deste ano Han Solo: Uma História de Star Wars. Há ainda planos para um terceiro filme independente (que poderá ser sobre a personagem Obi-Wan Kenobi e ter o britânico Stephen Daldry na cadeira de realizador) e, sabe-se agora, para muitos mais. As várias idas ao cinema de todos estes filmes, no seu conjunto e incluindo reedições, rendeu cerca de nove mil milhões de euros nas bilheteiras mundiais.

Fora do cinema, o mundo Star Wars vai também crescer. Já eram conhecidos os planos para levar este universo à televisão e Bob Iger disse terça-feira num telefonema com investidores que não haverá apenas uma, mas "algumas séries Star Wars especificamente para a app da Disney". O negócio não está completamente fechado, disse o CEO, citado pela Hollywood Reporter, prometendo que "o nível de talento na frente televisiva também será bastante significativo".

Foi mais uma adenda a outro anúncio feito em Novembro pelo poderoso gestor, que tinha na altura anunciado a criação de uma série de acção real (a bem sucedida série de animação Clone Wars está no ar desde 2008) Star Wars. Agora, Iger confirma que essa aposta será direccionada para a nova plataforma digital da Disney, uma mega operação de redistribuição de conteúdo que já fez com que todos os títulos da Marvel, também parte da Disney Studios, fossem retirados do futuro concorrente Netflix, por exemplo. O novo serviço da Disney está previsto para 2019 e contará assim com os conteúdos Marvel, Lucasfilm e do profuso portefólio do estúdio de Mickey e High School Musical

Weiss e Benioff têm em mãos a árdua tarefa de terminar - ao que tudo indica primeiro do que o autor da série literária, George R.R. Martin - a maior série de televisão do mundo na actualidade. Com um estatuto raro no século XXI das muitas plataformas e canais, A Guerra dos Tronos é anualmente um momento de appointment viewing para milhões de pessoas em todo o planeta, conseguindo um poder agregador que quase já só os eventos desportivos possuem.

A oitava e última temporada vai para o ar em 2019, após um ano de hiato inédito nos oito anos da série da HBO (SyFy e TVSéries em Portugal). Os criadores televisivos estão também envolvidos num polémico projecto para o mesmo canal, Confederate, sobre uma realidade alternativa em que os estados do Sul ganharam a Guerra Civil nos EUA.