Câmara de Lisboa quer articular-se com Governo para disponibilizar casas mais baratas para professores

Rendas altas estão a afastar professores das escolas de Lisboa que acabam a fazer as contas e a perceber que não compensa a deslocação para a capital. Consciente do problema, autarquia aprovou moção em que apela ao Governo que arranje soluções de alojamento para os professores colocados em Lisboa.

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Daniel Rocha

Com o aumento das rendas das casas, há professores que não estão a aceitar horários incompletos em distritos como Lisboa, Setúbal ou Faro, fazendo com que cerca de duas mil turmas estejam ainda sem professores, quase um mês depois do arranque do ano lectivo. A situação já foi denunciada por professores, sindicatos e associações de pais e, agora, também a Câmara de Lisboa reconhece que há um problema na capital, apelando ao Governo que aja rapidamente. 

Na reunião do executivo municipal de quinta-feira, foi aprovada por unanimidade uma moção em que é pedido ao Governo que “disponibilize alojamento a preço acessível (que não exceda os 30% do rendimento base) aos docentes que residam fora da Área Metropolitana de Lisboa e sejam colocados em estabelecimentos da área do município de Lisboa”. 

O documento, subscrito pelo vereador do Bloco de Esquerda, Manuel Grilo — que já foi dirigente do Sindicato dos Professores da Grande Lisboa, tendo também integrado as estruturas directivas da Fenprof e da CGTP —, nota que “a maioria dos horários disponibilizados pelo Ministério da Educação para as turmas em questão são parciais, não atingindo as 22 horas lectivas semanais, com remunerações base muito baixa”. 

Ora, feitas as contas, para muitos professores da zona Norte do país, o valor a pagar pela renda de uma casa em Lisboa ou no Algarve acaba por não compensar a deslocação. “As baixas remunerações associadas aos preços das casas, sem a atribuição de qualquer complemento para o efeito, tornam impossível para estes/as profissionais aceitar as colocações e fazer face às despesas de deslocação”, sublinha o documento, lembrando ainda que Lisboa é o concelho do país com as rendas mais altas.

O vereador bloquista frisa ainda que a “existência de um número tão elevado de horários à espera de aceitação resulta em grave prejuízo para os alunos, que se vêem privados do direito a uma educação de qualidade, consagrado na Constituição da República”. E apela também ao Ministério da Educação para que efectue as “diligências necessárias, em articulação com a Câmara Municipal de Lisboa” para a resolução desta questão.