Ministério nega “situação anómala” de alunos ainda sem professores

Para o presidente da Associação Nacional de Directores de Agrupamentos e Escolas, Filinto Lima, a solução poderia passar pela criação de uma espécie de subsídio de alojamento.

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Sebastião Almeida

O Ministério da Educação diz não ter sido informado de qualquer “situação anómala ou de uma falta sistémica de docentes”, depois de várias notícias terem dado conta de que milhares de alunos continuariam sem professores um mês depois de as aulas terem começado. 

Em declarações à Lusa, o gabinete de imprensa do Ministério da Educação disse que “não tem reporte de qualquer situação anómala ou de uma falta sistémica de docentes. E salienta que, “tal como nos últimos anos, as reservas de recrutamento e, por conseguinte, o fluxo de substituições e preenchimento de vagas acontece semanalmente”.

Para o presidente da Associação Nacional de Directores de Agrupamentos e Escolas (ANDAEP), Filinto Lima, a solução os professores que recusam lugares porque têm dificuldade em encontrar alojamento poderia passar pela criação de uma espécie de subsídio de alojamento para os docentes deslocados.

Já a Federação Nacional de Educação (FNE) defendeu, no roteiro para a legislatura 2019/2023, a atribuição de residências para docentes deslocados a mais de 100 km do seu domicílio.

A Lusa questionou o ME sobre a hipótese de avançar com alguma destas propostas para minorar o problema mas não obteve qualquer resposta.

No entanto, o PS prometeu no seu programa eleitoral “criar incentivos” em áreas do país onde a oferta de profissionais é escassa assim como avançar com “condições para uma maior estabilidade e rejuvenescimento do corpo docente”.

O PS comprometeu-se a “estudar o modelo de recrutamento e colocação de professores com vista à introdução de melhorias que garantam maior estabilidade do corpo docente, diminuindo a dimensão dos quadros de zona pedagógica”.

Também se comprometeu a “elaborar um diagnóstico de necessidades docentes de curto e médio prazo (cinco a dez anos) e um plano de recrutamento que tenha em conta as mudanças em curso e as tendências da evolução na estrutura etária da sociedade e, em particular, o envelhecimento da classe docente”.

No programa do partido agora reeleito lê-se que “não é possível pensar na concretização de políticas públicas de educação alheadas de profissionais com carreiras estáveis, valorizadas e de desenvolvimento previsível”.

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