Primeira vacina para o ébola recomendada na Europa

Agência Europeia do Medicamento recomenda a comercialização de vacina que poderá ser administrada a pessoas com pelo menos 18 anos em risco de infecção pelo vírus do ébola.

Enfermaria na República Democrática do Congo
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Enfermaria na República Democrática do Congo REUTERS

O comité para os medicamentos humanos da Agência Europeia do Medicamento (EMA) emitiu uma recomendação para a comercialização na União Europeia da primeira vacina contra o vírus do ébola. Se for aprovada, a Ervebo poderá ser administrada em pessoas com idade igual ou superior a 18 anos em risco de serem infectadas pelo vírus. A aprovação final depende da Comissão Europeia, que geralmente segue essas recomendações.

Os ensaios clínicos e os testes em profissionais de saúde e em pessoas que estiveram em contacto com doentes infectados mostram que esta vacina protege contra o vírus do ébola apenas com uma dose, lê-se no comunicado da EMA. “Este é um passo importante para diminuir o fardo causado por esta doença mortal”, reforça Guido Rasi, director executivo da EMA. “As autoridades de saúde em países afectados pelo ébola precisam de medicamentos seguros e eficazes que dêem resposta aos surtos e salvem vidas.”

A EMA pode recomenda a comercialização de um novo medicamento em condições especiais quando os benefícios imediatos da sua disponibilização ultrapassem o risco de alguma lacuna nos dados disponíveis, como é o caso desta vacina para o ébola. Produzida pela Merck Sharp & Dohme, a informação sobre a vacina foi revista pela EMA em cooperação com a Organização Mundial da Saúde (OMS) e agências reguladoras nacionais africanas e da América do Norte.

A OMS apoia a decisão da EMA e pretende integrar a vacina num programa da OMS que facilita o acesso a medicamentos para doenças graves como a sida e a malária. Para Tedros Adhanom Ghebreyesus, director-geral da OMS, esta autorização especial da primeira vacina do ébola a nível mundial “é um triunfo para a saúde pública e o testemunho da colaboração sem precedentes entre especialistas do mundo inteiro”.

A vacina foi testada em cerca de 16 mil pessoas nos EUA, na Europa e em África e demonstrou ser segura e eficaz tanto contra o surto que se disseminou na África ocidental entre 2014 e 2016 – que causou mais de 11 mil mortes e foi o mais mortal até agora – como contra o surto actual na República Democrática do Congo. Este último surto já infectou mais de três mil pessoas e foi considerado em Julho pela OMS como uma “emergência de saúde pública de âmbito internacional”.

O vírus do ébola, que provoca uma febre hemorrágica, foi descoberto em 1976 no então Zaire (actual República Democrática do Congo) na região do rio Ébola e transmite-se através do contacto directo com fluídos corporais.