OMS declara “emergência global” por causa do ébola

O surto na República Democrática do Congo iniciou-se em Agosto de 2018 e já contabiliza mais de 1600 mortos confirmados.

Um trabalhador de saúde congolês vacina uma criança num centro de saúde em Goma
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Um trabalhador de saúde congolês vacina um homem num centro de saúde em Goma Reuters/Olivia Acland

A Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou esta quarta-feira que o surto do vírus do ébola na República Democrática do Congo é agora uma “emergência global de saúde pública”. No entanto, a OMS ressalva que as fronteiras daquele país não devem ser encerradas, pois o risco de contaminação não é alto neste momento.

Até agora, a propagação do vírus matou mais de 1600 pessoas. Esta semana foi detectado o primeiro caso na cidade congolesa de Goma, onde habitam mais de um milhão de pessoas. “É altura de o mundo prestar atenção”, afirmou o director-geral da OMS, Tedros Adhanom ​Ghebreyesus, numa conferência de imprensa realizada em Genebra, na Suíça.

A emergência global de saúde só foi proclamada quatro vezes na história por aquele órgão das Nações Unidas. A última vez foi durante a epidemia de ébola que devastou parte da região oeste do continente africano, entre 2014 e 2016, e que matou mais de 11 mil pessoas.

A proclamação desta quarta-feira foi bem recebida pela Federação Internacional da Cruz Vermelha. “Enquanto a realidade para as vítimas e autoridades no terreno não muda, esperamos que [a invocação da medida] traga a atenção internacional que esta crise requer”, disse a Cruz Vermelha num comunicado citado pela BBC.

Doze novos casos por dia na República Democrática do Congo

A crise que começou em Agosto de 2018 é já a segunda maior da história e afecta sobretudo duas províncias do Congo – a de Ituri e Norte de Kivo. Mais de 2500 pessoas foram infectadas até ao momento e dois terços delas morreram. Passaram-se 224 dias até que se registassem mil casos, mas até que o total de infectados aumentasse para o dobro bastaram 71 dias. Há registo de cerca 12 novos casos por dia.

Países vizinhos em risco?

O Uganda, país vizinho, já registou os casos de dois cidadãos congoleses (uma criança de cinco anos e a avó de 50) que acabaram por morrer no seu território. No mês passado foram proibidas reuniões públicas no distrito de Kasese, onde a família atravessou a fronteira. Os moradores da região foram aconselhados a lavar regularmente as mãos. O Ruanda, perto da fronteira com a cidade de Goma no Congo, também está em risco.

Vacina é 99% eficaz

Apesar de o contágio desta doença ser potencialmente explosivo, existe uma vacina contra o vírus do ébola. Tem uma eficácia de 99% e já foi ministrada a cerca de 161 mil pessoas no país. Ainda assim, nem toda a população está vacinada – apenas aqueles que foram infectados pelo vírus ou estiveram em contacto directo com alguém infectado.

A vacina foi desenvolvida durante a ultima crise pandémica e tem estado disponível desde o início deste novo surto.

O vírus foi detectado pela primeira vez em 1976, numa região perto do rio Ébola, no então Zaire, actual República Democrática do Congo.