Corbyn rejeita eleições antecipadas antes de o “Brexit” sem acordo ser travado

Trabalhistas mostram-se finalmente unidos frente a Boris Johnson, que vê a sua estratégia para concretizar o “Brexit” comprometida.

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Jeremy Corbyn na sessão em curso no Parlamento de Londres Reuters

Jeremy Corbyn anunciou esta quarta-feira no Parlamento de Londres que o Partido Trabalhista não vai apoiar a realização de eleições antecipadas no Reino Unido antes de ficar garantido que o país não sai da União Europeia (UE) sem um acordo, o que implica o adiamento da data do “Brexit” de 31 de Outubro para 31 de Janeiro de 2020. “Se o primeiro-ministro tem tanta confiança na sua estratégia para concretizar o ‘Brexit’, que a submeta a uma consulta popular”, disse Corbyn.

Analistas britânicos notam que é a primeira vez que Corbyn pôs de lado as resistências que lhe restavam sobre a saída do país da União Europeia (sempre demonstrou a sua desconfiança sobre a UE e manteve-se dúbio quanto ao processo) e se apresentou como dirigente de um partido unido quando ao “Brexit”.

“[Boris Johnson] Diz que vai apresentar uma proposta para antecipar as eleições. Óptimo. Mas aprovemos primeiro a nossa lei para retirar de cima da mesa a possibilidade de haver um ‘Brexit’ sem acordo”, disse Corbyn na sessão que está em curso em Westminster.

Por lei, o Governo tem que apresentar a proposta de eleições aos Parlamento e conseguir o apoio de dois terços da Câmara dos Comuns. Segundo as palavras de Corbyn, que até agora foi favorável a eleições antecipadas (um tema que fracturou os trabalhistas), o seu partido deve votar contra a proposta de eleições antecipadas que Johnson pode apresentar na noite desta quarta-feira.

O primeiro-ministro anunciou que faz a proposta se, como se prevê, os Comuns aprovarem esta quarta-feira à tarde uma lei a impedir o “Brexit” sem acordo. 

Segundo as sondagens, o Partido Conservador, de Johnson, tem 35% das intenções de voto, e os Trabalhistas têm 25%.

O Governo perdeu na terça-feira a curta maioria que ainda tinha no Parlamento, quando o deputado conservador Phillip Lee saiu da sua bancada e foi sentar-se ao lado dos Liberais Democratas. A troca de bancadas significa que o Governo já não pode confiar apenas nos dez deputados do Partido Unionista Democrático para aprovar moções ou propostas de lei. Com a passagem de Lee para os Liberais Democratas, o Governo de Boris Johnson passa a contar apenas, em teoria, com 319 votos: 309 do Partido Conservador e dez dos unionistas da Irlanda do Norte.

A oposição conta agora com 320 deputados: 247 dos trabalhistas, 35 do Partido Nacional Escocês, 16 dos Liberais Democratas e 22 de outros partidos e independentes. Há ainda 11 membros da Câmara dos Comuns que não votam – sete abstencionistas do Sinn Féin, o presidente e os três vice-presidentes.