A Amazónia está a arder — e já se vê do espaço

O governo do estado do Amazonas decretou situação de emergência no início do mês devido ao “impacto negativo da desflorestação ilegal e queimadas não autorizadas”.

Uma queimada no estado Amazonas
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Uma queimada no estado Amazonas REUTERS/Bruno Kelly
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Uma imagem de satélite de dia 13, divulgada pela NASA LUSA/NASA EARTH OBSERVATORY

O número de fogos no Brasil cresceu 82% este ano, em comparação com o mesmo período do ano passado, tendo o país registado mais de 71 mil focos de incêndio até ao passado domingo. E a região da floresta amazónica é a mais afectada.

De acordo com a imprensa brasileira, que cita dados do Programa de Queimadas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), o bioma (conjunto de ecossistemas) mais afectado é o da Amazónia, com 51,9% dos casos, seguindo-se o cerrado – ecossistema que cobre um quarto do território do Brasil –, com 30,7% dos focos registados no ano. O cerrado é o segundo maior bioma brasileiro, ficando atrás em extensão apenas da floresta amazónica, com dois milhões de quilómetros quadrados.

Segundo a edição online do jornal Estado de São Paulo, em números absolutos Mato Grosso é o estado com mais focos de incêndio registados no Brasil, com mais de 13 mil, seguido pelo Pará, com 7975.

No início de Agosto, o governo do Amazonas decretou situação de emergência no Sul do estado e na Região Metropolitana de Manaus devido ao “impacto negativo da desflorestação ilegal e queimadas não autorizadas”.

“O Amazonas registou, de Janeiro a Julho deste ano, 1699 focos de calor (focos com temperatura acima de 47°C, registados por satélite, que indicam a possibilidade de fogo). Destes, 80% foram registados Julho, mês em que teve início o período de estiagem”, declarou o estado do Amazonas no seu site.

Depois de o Amazonas decretar a situação de emergência, o governo do Acre declarou, na sexta-feira passada, estado de alerta ambiental, também devido aos incêndios em matas. O número de focos de incêndio no país já é o maior dos últimos sete anos.

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Nesta imagem de satélite de 13 de Agosto é possível ver o fumo dos fogos na floresta amazónica NOAA

Ao Estadão, o investigador Alberto Setzer explicou que o tempo em 2019 está mais seco do que no ano passado, o que propicia incêndios, mas garante que grande parte deles não tem origem natural. “Nesta época do ano não há fogo natural. Todas essas queimadas são originadas em actividade humana, seja acidental ou propositada. A culpa não é do clima, ele só cria as condições, mas alguém coloca o fogo”, afirmou Setzer.

A expectativa do especialista é que a situação piore ainda mais nas próximas semanas com a intensificação da seca.

O INPE, órgão do Governo brasileiro que levanta os dados sobre a desflorestação e queimadas no país, foi alvo de críticas recentes por parte do presidente Jair Bolsonaro, que acusou o instituto de estar a serviço de algumas organizações não governamentais por divulgar dados que apontam para o aumento da desflorestação da Amazónia.

A informação recentemente divulgada pelo INPE e aponta que a desflorestação da Amazónia cresceu 88% em Junho e 278% em Julho, comparativamente com o mesmo período do ano passado. No entanto, o Governo brasileiro nega esses dados.

A Amazónia é a maior floresta tropical do mundo e possui a maior biodiversidade registada numa área do planeta. Tem cerca de cinco milhões e meio de quilómetros quadrados e inclui territórios do Brasil, Peru, Colômbia, Venezuela, Equador, Bolívia, Guiana, Suriname e Guiana Francesa (território pertencente à França).