Motoristas: PS acusa PSD e BE de demagogia e de preocupações eleitorais

Ana Catarina Mendes refuta críticas à esquerda e à direita e diz que o Governo é porta-voz do interesse nacional e não da patronal dos transportes.

Carlos Paredes
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O primeiro-ministro, António Costa, à saída, em Belém, do encontro com o Presidente da República LUSA/RODRIGO ANTUNES

O PS rejeitou na madrugada deste sábado as críticas dos líderes de PSD e BE sobre a actuação do Governo na greve dos motoristas, acusando Rui Rio e Catarina Martins de “profunda demagogia e irresponsabilidade”, e de terem apenas preocupações eleitorais.

“Eu julgo que Catarina Martins está com febre eleitoral, a pensar em 6 de Outubro, e, por isso, acaba por ser a porta-voz da demagogia ao nível do doutor Rui Rio, porque a verdade é que o Governo tem estado à altura das suas responsabilidades em todas as dimensões da situação que temos vivido com esta greve de motoristas”, disse, em declarações à agência Lusa, a secretária-geral adjunta socialista, Ana Catarina Mendes.

O PS rejeita assim as declarações de “Rui Rio ao acusar o Governo de circo mediático ou de pré- eleitoralismo e rejeita as afirmações de Catarina Martins quando diz que o Governo se está a comportar como o porta-voz da Antram”.

Em causa as posições públicas de Rui Rio e de Catarina Martins durante a sexta-feira a propósito da greve dos motoristas.

“Aquilo a que assistimos, quer a estas declarações de Catarina Martins, quer às declarações desta tarde do doutor Rui Rio, são de uma profunda demagogia, de uma profunda irresponsabilidade, de quem não está preocupado com o interesse nacional, mas que está preocupado com interesses meramente eleitorais”, contra-atacou a dirigente socialista.

Segundo Ana Catarina Mendes, “o Governo não é porta-voz de ninguém senão do interesse nacional” e é por isso mesmo que não aceita “as críticas que vêm à esquerda e à direita”.

“Porque a responsabilidade exige respeito pelo direito à greve, mas respeito também por todos os direitos fundamentais que têm de ser garantidos ao país e, por isso, o país não podia paralisar”, justificou.

Na perspectiva de Ana Catarina Mendes, “todo o Governo tem feito o que é possível fazer para que haja um entendimento e para que as partes possam negociar e com isso não paralisar o país”.

“Não vale tudo em momento pré-eleitoral e é por isso que só alguém que não esteja de boa-fé é que não consegue perceber que verdadeiramente o Governo tem feito tudo o que está ao seu alcance para garantir a normalidade do país, que as pessoas não são prejudicadas pela greve que aconteceu e que evidentemente o Estado possa continuar a funcionar”, condenou.

Sendo o PS, segundo a sua dirigente, “o partido do diálogo social, que defende a contratação colectiva, é evidente que era preciso que o Governo tivesse aqui também - e que tem tido - um trabalho de mediação para chegar a entendimento entre as partes”.

Ao início da tarde de sexta-feira, à margem de uma visita à praia da Leirosa, Figueira da Foz, a coordenadora do BE, Catarina Martins, afirmou que a negociação para resolver o impasse sobre os motoristas exige menos intransigência de todas as partes e pediu que o Governo tenha a capacidade de ser o mediador e não um porta-voz da Antram.

Já o líder social-democrata, Rui Rio, numa conferência de imprensa no Porto, acusou o Governo de ter montado um “circo mediático” e não ter estado equidistante em todo o processo da greve dos motoristas.

Questionado sobre estas declarações à saída do encontro semanal com o Presidente da República, o primeiro-ministro, António Costa, escusou-se a comentar as críticas do presidente do PSD à actuação do Governo perante a greve dos motoristas, considerando que Rui Rio “porventura” não acompanhou com atenção por estar em uso “legítimo” de férias.