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Espanha: Rivera reforça linha anti-Sánchez na direcção do Cidadãos

Líder do Cidadãos afasta dois membros críticos da sua política e traz mais 22 novos dirigentes que estão com ele.

Albert Rivera aplaudido durante o Conselho Geral do Cidadãos
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Albert Rivera aplaudido durante o Conselho Geral do Cidadãos Mariscal/EPA

No dia em que o Financial Times pedia em editorial ao Cidadãos (Cs) que mudasse de posição quanto a um acordo de Governo com Pedro Sánchez, Albert Rivera afastava da direcção do partido mais dois críticos da sua liderança, demonstrando que a sua visão irredutível em relação ao executivo do primeiro-ministro socialista é para manter.

Tanto Fernando Maura, até agora responsável pelas relações exteriores no Conselho Geral de Cidadãos, o órgão máximo do partido, como Orlena de Miguel, dirigente de Castela-Mancha, secundaram a proposta do cabeça de lista do Cs às europeias, Luis Garicano, de negociar com o PSOE o apoio ao governo de Sánchez. Maura votou mesmo a favor, enquanto De Miguel absteve-se.

A intransigência de Rivera e a sua aproximação à extrema-direita já tinha levado, no final de Junho, à saída de dois pesos-pesados, um do partido, Toni Roldán, porta-voz para os assuntos económicos, e outro da direcção, o eurodeputado Javier Nart.

Pedindo várias vezes durante o seu discurso no Conselho Geral “lealdade ao projecto”, Rivera nomeou 22 novos dirigentes para o órgão máximo do Cs (que passa agora a ter 50), todos militantes recrutados para as eleições de 28 de Abril, quando o partido que começou por ocupar o centro político se posicionou mais à direita com o objectivo de se tornar na principal força política da oposição.

Objectivo que quase pareceu alcançável nas eleições legislativas, ficou muito distante nas municipais e europeias, onde o partido perdeu mais de metade dos votos, e parece prestes a penalizá-lo ainda mais, em caso de novas eleições a 15 de Novembro: sondagens dão o Cs em quebra de popularidade e até como segundo maior responsável do fracasso nas negociações de governo, mesmo que a última do CIS para o El País, no princípio de Julho, lhe desse uma intenção de voto superior ao PP.

Rivera, que também substituiu Inés Arrimadas como porta-voz do partido, escolhendo para o lugar Lorena Roldán, que acaba de ser eleita internamente candidata à chefia do governo catalão com 86% de votos, sublinhou no seu discurso que esta é uma direcção de “gente preparada, leal ao projecto do Cs e a Espanha”.

O líder do Cs aproveitou a ocasião para voltar a atacar Pedro Sánchez e ao seu plano para transformar a Espanha em “despojos” a repartir entre “nacionalistas, separatistas e populistas” e garantir, neste “momento de incerteza”, que o Cs tem um projecto para o país.

O reforçar da linha de Rivera no rumo do partido chegou precisamente no dia em que o diário financeiro britânico Financial Times, Bíblia em papel salmão para os liberais europeus, apelou em editorial ao Cidadãos que mude de posição e facilite o governo de Sánchez.

“O Cidadãos deve repensar a sua oposição a apoiar os socialistas” numa altura em que “a política espanhola está num impasse”, escreve o jornal. “Devem evitar-se” novas eleições a 15 de Novembro porque “é improvável que estas tragam um resultado diferente e acabem por travar o impulso das reformas” económicas em curso.

“O impasse político está a travar a continuação do esforço de reformas económicas de Espanha”, acrescenta o editorial, afirmando que para manter o ritmo de crescimento actual da economia, acima da média da zona euro (2,3% previsto para este ano), “as reformas favoráveis às empresas devem continuar”.

Um acordo com o Cs “dará a Sánchez uma maioria estável e ao país o Governo que precisa”. Para o Financial Times, o PSOE “conseguiu uma vitória em Abril. Deve agora ser-lhe dada a oportunidade de governar.” Pedro Sánchez falhou, na semana passada, por duas vezes a sua investidura.

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