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Ferro: no novo bar do Porto, a ver os comboios passar

A cidade ganha novo bar e terraço: o Ferro tem a Estação de São Bento nos olhos e nos ouvidos. Há música, comida e cocktails ricos em... ferro

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É de um terraço com cerca de 50 metros quadrados que se vê um Porto quase cristalizado no tempo. Não há um único edifício novo num campo de visão onde cabe a Sé – o bairro e a Catedral – e o interior de um dos monumentos mais visitados da cidade. Mesmo sem o ver, pelo som, já se adivinha qual é este edifício de paragem obrigatória para forasteiros e não só.

Ouvem-se comboios, ora a partir, ora a chegar, e os avisos das comunicações de linhas que se abrem para novos destinos. Do Ferro Bar vêem-se os comboios da Estação de São Bento passar, enquanto o bar multiusos serve de sala de estar aos que sobem até à parte mais alta da Rua da Madeira para entrar no renovado número 84.

Com data de abertura oficial a 19 de Julho, há já umas semanas que entrara em modo soft opening, sem divulgação, para receber alguns amigos do proprietário Sérgio Ribeiro – que há pouco mais de uma década abriu o extinto Armazém do Chá, na Rua de José Falcão –, e a alguns curiosos que ali passam.

Está numa zona da cidade ainda por descobrir, no que à actividade nocturna diz respeito, embora já se vislumbrem os primeiros sinais do potencial a médio/longo prazo daquela travessa entalada entre a 31 de Janeiro e a estação. Já lá está o Gare, há muitos anos, e, há menos tempo, o bar de rock Barracuda, e alguns restaurantes, como o Tapabento. De resto, quando a outra casa do mesmo proprietário abriu na José Falcão, rua que agora é parte do epicentro da rebuliço portuense feito de noite, não se viam portas abertas depois das 20h. O Armazém do Chá foi um dos primeiros de muitos a instalar-se na Baixa e a abrir caminho para o que hoje é a noite do Porto.

Esta nova proposta de Sérgio Ribeiro tem por base o mesmo plano de inovação almejado para o bar anterior, mas agora desenhado para outra localização. No Ferro há cerca de 200 metros quadrados de decoração que evoca os tempos da Revolução Industrial. É um espaço bruto que reúne peças que o proprietário foi coleccionando ao longo do meio ano de obras de adaptação necessárias para abrir portas. O nome do bar está presente nas peças que escolheu para o decorar, e, predominantemente, no balcão de ferro que construiu de raiz. Atrás do mesmo há dois manequins feitos do mesmo material.

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Foi em sucatas e lojas de antiguidades que tropeçou em alguns dos materiais. Outros, encontrou-os numa casa que comprou há pouco tempo. Daí, do que os antigos donos deixaram para trás, aproveitou umas malas e os bancos de um Jaguar que agora ali estão espalhados por uma área que se divide em quatro secções.

De todas elas, à excepção de uma, consegue ver-se o interior da estação. Há uma esplanada logo à entrada, um corredor junto ao bar e o terraço também com esplanada, onde há um jardim vertical. De qualquer ponto de uma destas áreas, há uma vista folgada para a rua, eliminando qualquer sensação de claustrofobia, mesmo nas áreas fechadas, por força do acesso visual à porta que forma uma espécie de moldura para o exterior. A única excepção é numa sala com cerca de 70 metros quadrados, mais interior, que servirá de espaço multiusos para receber concertos, peças de teatro, cinema e outras propostas ainda a definir. É também possível naquela área marcar jantares privados.

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Comida e cocktails com ferro

O Ferro é um bar, mas é também restaurante. Na cozinha está o chef Bernardo Frazão, contratado sem entrevista – as vezes que o dono do espaço diz ter ido a sua casa jantar serviram para passar o teste. A cozinha estará aberta para almoços e jantares e para outros petiscos com uma ementa que o chef desvenda seguir a reboque do nome do bar: “Um menu à base de alimentos ricos em ferro”, conta, que se junta a outros pratos confeccionados de acordo com o que o mercado de frescos tem para oferecer no dia.

O bar, a cargo de Lia Igreja de Oliveira, até há bem pouco tempo no Terraplana, terá os já habituais cocktails de assinatura, também ajustados ao mesmo conceito, e outros mais clássicos. Junta-se à carta vinho a copo e algumas cervejas artesanais.

Aberto do meio-dia às 2h, o bar está num edifício que é uma espécie de “minicentro cultural”. No mesmo prédio funciona já uma galeria de ilustração e uma loja com entrada pela Rua 31 de Janeiro, a Vicent by Scar.id.

O fim-de-semana de abertura
Para assinalar a abertura, há música com o evento “A Ver Os Comboios Passar FEST”, de entrada gratuita. Passam pelo terraço e pela sala multiusos na sexta-feira (19/07), a partir das 16h, Candy Diaz, para um DJ set e os Vive les Conês; no sábado (20/07) Hellmariachi (Octopussy Crew) com PHATIC, DJ Urânio & Mc Sissi e os Terebentina, e no domingo (21/07) o DJ set de Pop’lar, o saxofonista berlinense a viver no Porto, Julius Gabriel, e os Solar Corona. Diz Sérgio Ribeiro, que quer que este espaço seja um local para ouvir rock’n’roll, jazz e funk, que esta é uma forma de “apresentar o espaço à sociedade portuense”.

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