O debate sobre o Martim Moniz entra na sua fase decisiva

Para esta sexta-feira está marcada uma assembleia de freguesia quase só para falar da praça. Fernando Medina quer ter o assunto decidido até ao fim do mês.

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Os tapumes da obra foram colocados em Janeiro e ali se mantêm, seis meses depois Miguel Manso

Tique-taque. O relógio para a Praça Martim Moniz entrou em contagem decrescente. Fernando Medina quer que a câmara de Lisboa tome decisões até ao fim de Julho e já esta sexta-feira a assembleia de freguesia de Santa Maria Maior debruça-se sobre o tema com uma “discussão sobre o presente e futuro” da praça, com vista a “encontrar soluções”.

Passou quase meio ano desde que se iniciaram ali as obras de infra-estruturas para a instalação de um novo mercado, que devia ter aberto em Junho, mas o projecto está parado desde então. Perante a crescente contestação de organizações várias e partidos políticos, o presidente da câmara decidiu no fim de Janeiro que o projecto final seria levado a reunião de vereadores e aguarda-se ainda o seu agendamento.

O silêncio tomou conta do estaleiro da obra neste período, mas cá fora continuaram as movimentações. Depois de um cordão humano no início de Fevereiro em que algumas dezenas de pessoas defenderam a criação de um jardim naquele local, apareceu pouco depois o Movimento Jardim Martim Moniz, que luta para que a praça se torne “numa zona verde de referência em Lisboa”.

Susana Simplício, porta-voz do movimento e primeira subscritora de uma petição com 1600 assinaturas que está em análise na assembleia municipal, diz que um dos seus objectivos é suscitar o debate sobre a praça. “Continua a haver muita gente que não sabe o que se passa aqui”, constata. “Nós queremos uma praça que seja pública. Temos uma proposta concreta, um jardim, mas não uma proposta fechada, porque tem de haver envolvimento da população, auscultação pública”, afirma.

Neste momento existe um contrato de concessão entre a câmara de Lisboa e uma empresa, a Moonbrigade Lda., que prevê a criação de um recinto comercial composto por contentores no centro da praça. “O processo de diálogo com a câmara está em curso”, diz Geoffroy Moreno, um dos sócios da empresa, remetendo novidades para mais tarde.

Para Susana Simplício, o projecto da Moonbrigade é “um centro comercial ao ar livre” que “podia ser óptimo para outro local da cidade”, mas não para o Martim Moniz. Desde que a câmara concessionou a parte central da praça a uma outra empresa, a NCS, em 2012, para aí ser criado o Mercado de Fusão, “a cidade mudou muitíssimo”, sustenta. “Estamos a falar de uma envolvente muito diferente. A pressão urbanística, a pressão turística, a pressão sonora são hoje muito maiores.”

“Desde a Alameda até ao rio não há um espaço predominantemente verde. E desde o Martim Moniz até lá abaixo [ao Tejo] não há sítios para as pessoas se sentarem nem bebedouros”, argumenta Susana. Neste eixo, conclui, “o Martim Moniz é o espaço maior e aquele com uma maior possibilidade de se transformar num espaço verde”.

A ideia de se criar ali um jardim é vista como impossível por inúmeras pessoas, entre elas Fernando Medina, que lembra a existência de um parque de estacionamento subterrâneo naquele local. Isso, para Susana Simplício, não é impedimento. “Existem várias tipologias de jardins”, comenta. Outra questão apontada por críticos é de que um jardim pode propiciar insegurança, sobretudo à noite. “Não é um jardim que torna insegura a zona. É um falso problema. Os problemas que existirem é porque já existiam”, contrapõe Susana.

Em Janeiro, Medina disse que uma eventual rescisão do contrato com a Moonbrigade significaria que a câmara e cada um dos vereadores teriam de pagar indemnizações, o que parece tornar inviável uma mudança no rumo dos acontecimentos. Susana Simplício desafia o presidente da câmara: “É uma boa oportunidade para a câmara utilizar isto como bandeira política, para fazer a verdadeira diferença nesta praça. Dá trabalho? Dá. Custa dinheiro? Sim. Percebo as questões monetárias, mas está fora de questão perpetuar esta situação só para não pagar uma indemnização.”

A assembleia de freguesia desta sexta decorre no Palácio da Independência a partir das 18h30.