Banco de Portugal prevê uma balança comercial negativa já este ano

Banco de Portugal antecipa em um ano o regresso a saldos negativos na balança de bens e serviços. Saldo externo total com o exterior continua, no entanto, em terreno positivo.

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Rui Gaudencio

Com a recuperação mais forte do investimento a impulsionar o valor das importações, a economia portuguesa irá regressar já este ano – um ano antes do previsto - a um défice da balança de bens e serviços, prevê o Banco de Portugal, que ainda assim continua a apontar para a manutenção de um saldo global com o exterior equilibrado nos próximos anos.

No boletim económico de Junho publicado esta quarta-feira, o Banco de Portugal praticamente não mudou as suas projecções para o crescimento do PIB, que são de 1,7% este ano e de 1,6% nos dois anos seguintes. No entanto, levando já em conta os resultados registados durante o primeiro trimestre, reviu em alta as suas previsões de crescimento do investimento, exportações e importações, de uma forma que veio alterar também o resultado final dos saldos com o exterior.

O investimento, diz agora o banco, vai crescer 8,7% este ano, bem mais do que os 4,4% do ano passado e que os 6,8% que eram antecipados em Março. Em compensação, as importações (muito por força do investimento realizado) vão crescer 8%, em vez dos 6,3% que o banco central esperava em Março. As exportações também foram revistas em alta, com a taxa de variação prevista a passar de 3,8% para 4,5%.

Na balança de bens e serviços, a consequência desta mudança nas componentes do PIB foi a passagem da previsão do Banco de Portugal relativa a 2019 de um excedente de 0,2% para um défice de 0,5%. Portugal vinha, desde a forte quebra da procura interna no auge da crise, registando excedentes na sua balança comercial, e o Banco de Portugal antecipa agora em um ano o regresso aos défices que, no boletim económico de Março, era esperado apenas em 2020.

Para 2020, o banco passou a sua previsão de défice comercial de 0,2% para 0,7%. Em 2021, a revisão foi de 0,4% para 1,1%.

Estes resultados mostram a tendência para o regresso a um padrão de crescimento em que a relação da economia portuguesa com o exterior é desequilibrada. No entanto, os receios em relação a um fenómeno desse tipo são mitigados quando se olha para a previsão do saldo da balança corrente e de capital, que para além da balança comercial inclui as balanças de capital e de rendimentos. Aqui, o Banco de Portugal continua a apontar para valores ligeiramente positivos, o que significa que o país, graças em larga medida ao cenário de taxas de juro baixas, mantém contas equilibradas com o exterior.