Opinião

Constâncio e a cultura do lava-culpas

Sejam quais forem as novas ou velhas explicações de Constâncio, já toda a gente percebeu o óbvio: sem a sua autorização suprema ou o seu beneplácito régio, essa operação nunca poderia ter sido concretizada.

Vítor Constâncio vai ser ouvido novamente no Parlamento sobre as suas responsabilidades, enquanto governador do Banco de Portugal, na autorização do empréstimo de 350 milhões de euros concedido pela CGD a Joe Berardo para comprar acções do BCP (e que lhe permitiriam disputar uma posição de controlo naquele banco em tempos de grande tumulto e conflitualidade no sistema financeiro). Mas sejam quais forem as novas ou velhas explicações de Constâncio, já toda a gente percebeu o óbvio: sem a sua autorização suprema ou o seu beneplácito régio, essa operação nunca poderia ter sido concretizada, o que implica o favorecimento de uma das partes na guerra dos protagonismos (mais ou menos suicidários) da banca portuguesa. Ora isto é simplesmente inconcebível e imperdoável por parte de uma entidade com as responsabilidades decisivas do supervisor da actividade bancária.