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Representantes de 11 partidos de extrema-direita juntaram-se em Milão, na Itália, no dia 18 de Maio, para formalizar uma aliança pan-europeia populista e soberanista Representantes de 11 partidos de extrema-direita juntaram-se em Milão, na Itália, no dia 18 de Maio, para formalizar uma aliança pan-europeia populista e soberanista (Emanuele Cremaschi/Getty Images)
Guerra de propaganda na Europa

A estratégia da extrema-direita para os media

Uma investigação da revista austríaca Falter apresenta em detalhe as estratégias que os partidos da extrema-direita utilizam para obter o controlo dos meios de comunicação social e influenciar a opinião pública. Uma das principais constatações é a de que o Partido da Liberdade da Áustria (FPÖ) é um modelo a seguir pela extrema-direita do resto da Europa. A avaliar pelos resultados das europeias, esta teia mediática parece estar a resultar. Este trabalho foi finalista do European Press Prize.

Pegando mais uma vez num copo de vodka e Red Bull naquela noite fatídica na ilha de Ibiza, Heinz-Christian Strache, então líder do partido populista de direita austríaco FPÖ, disse: “De qualquer maneira, os jornalistas são as maiores putas do planeta”. No Verão de 2017, o principal rosto do FPÖ dizia a uma suposta sobrinha de um oligarca russo que queria construir uma teia mediática como aquela que o primeiro-ministro Viktor Orbán tinha erguido na Hungria. Strache aconselha a alegada sobrinha rica a entrar no capital do jornal diário austríaco de maior circulação, o Kronen Zeitung, para que, a partir desse título, o FPÖ pudesse ser levado até à liderança política do país. Em troca, e assim que o FPÖ vencesse as eleições e chegasse ao Governo com o seu apoio, Strache prometia à mulher russa que as empresas que ela viesse a criar receberiam grandes encomendas do sector público, como a construção de auto-estradas.