Extrema-direita lança desafio à Europa desde Milão

Partidos nacionalistas de vários países europeus, liderados por Matteo Salvini, prometeram mudar o continente depois das eleições europeias da próxima semana.

Matteo Salvini garantiu que não havia fascistas naquela praça, apenas pessoas sensatas
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Matteo Salvini garantiu que não havia fascistas naquela praça, apenas pessoas sensatas ALESSANDRO GAROFALO/Reuters

Numa praça central de Milão cheia de gente apesar da chuva, milhares de bandeiras da Liga, o partido do ministro do Interior italiano, Matteo Salvini, receberam líderes da extrema-direita de 11 países da União Europeia, convocados para formar uma frente comum para retirar poder a Bruxelas.

Centenas de opositores juntaram-se à volta para apupar, escarnecer e assobiar os apoiantes da extrema-direita, por vezes de forma tão ensurdecedora que conseguiam evitar que se ouvissem os intervenientes.

Quando chegou a vez de falar Salvini, o responsável pela frente comum e o homem que se tornou um dos rostos mais mediáticos da extrema-direita europeia, os contramanifestantes gritaram: “Fascistas, saiam de Milão!”   

“Não há extremistas, racistas ou fascistas nesta praça”, afirmou Salvini. “Aqui não vão encontrar a extrema-direita, mas os políticos sensatos. Os extremistas são aqueles que governaram a Europa nestes últimos 20 anos.”

Salvini está confiante que a sua nova aliança conseguirá um número recorde de assentos na eleição que se disputa entre 23 e 26 de Maio, o que lhe dará a possibilidade de ter uma palavra a dizer na forma como a Europa é orientada nos próximos cinco anos.

No entanto, o comício frente à catedral gótica de Milão acabou ensombrado pelo escândalo envolvendo um dos mais proeminentes aliados de Salvini, o Partido da Liberdade da Áustria (FPÖ), cujo líder se demitiu de vice-chanceler depois de ser apanhado em vídeo a oferecer contractos públicos em troca de apoio político.

Se o FPÖ se viu obrigado a estar ausente, partidos de 11 países estiveram presentes, incluindo a União Nacional (UN) francesa, o Alternativa para a Alemanha (AfD) e o Partido da Liberdade (PVV) holandês.

“Este é um momento histórico”, afirmou a líder da UN, Marine Le Pen, dizendo à multidão que a Europa tem de ser protegida da imigração descontrolada que, desde 2014, trouxe milhões de refugiados e de requerentes de asilo para o continente.

“Dizemos não a esta imigração que submergiu as nossas nações, colocando em risco as nossas populações”, acrescentou, usando um tema que ajudou a fomentar o apoio dos grupos nacionalistas.

Sondagens recentes dão a indicação que a aliança de Salvini poderá acabar com a quarta maior bancada de deputados no Parlamento Europeu, mas Le Pen afirmou que outros partidos poderão vir a juntar-se, incluindo o Fidesz, do primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, actualmente no grande grupo dos partidos da direita. Orbán deu o seu apoio público a Salvini e prometeu cooperação depois das eleições, mas recusou juntar-se numa aliança com Le Pen.