Joaquim Barroca: Carlos Santos Silva “prestava serviços” ao grupo Lena

O arguido na Operação Marquês, ex-gestor do grupo Lena, admitiu esta quinta-feira que Carlos Santos Silva “vendia serviços, vendia conhecimentos” à empresa de construção civil.

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LUSA/RODRIGO ANTUNES

O ex-administrador do grupo Lena Joaquim Barroca, arguido na Operação Marquês, disse esta quinta-feira no Parlamento que Carlos Santos Silva, também arguido, “prestava serviços” à construtora.

“Era uma pessoa que, tendo uma empresa de projectos, sendo ele um empresário há muitos anos, prestava serviços ao grupo Lena, os primeiros há mais de 20 anos”, disse Joaquim Barroca na sua audição na comissão parlamentar de inquérito à recapitalização e gestão da Caixa Geral de Depósitos (CGD), que decorreu esta quinta-feira na Assembleia da República, em Lisboa.

Carlos Santos Silva “prestava serviços e vendia serviços, vendia conhecimentos” ao grupo de construção civil, acrescentou Joaquim Barroca, referindo-se a conhecimentos técnicos do empresário. “Se quisesse saber como fazer um projecto, para fazer uma variante, em termos de conhecimentos”, o grupo Lena falava com Carlos Santos Silva, disse o ex-administrador da construtora.

Questionado pela deputada do PSD Inês Domingos sobre se Santos Silva tinha “conhecimentos não-técnicos”, Joaquim Barroca disse que não se lembrava. “Não sei o que está a querer insinuar, mas era um vendedor de serviços”, respondeu Joaquim Barroca à deputada.

Inês Domingos mencionou que havia “notícias de pessoas com poder político terem apoiado a sua empresa, não só em Portugal, mas também, por exemplo, na Venezuela”. “O tema Venezuela é tirar o mérito a muitas pessoas do grupo Lena que se dedicaram a isso”, afirmou Joaquim Barroca, acrescentando que não tinha “mais nada a dizer” sobre “a pessoa de Carlos Santos Silva.

O empresário Carlos Santos Silva, amigo de longa data do ex-primeiro-ministro José Sócrates, é apontado pela acusação do Ministério Público na Operação Marquês como sendo o testa-de-ferro de Sócrates.

Entre os 28 arguidos da Operação Marquês estão Carlos Santos Silva, Henrique Granadeiro, Zeinal Bava, Armando Vara, Bárbara Vara, Joaquim Barroca, Helder Bataglia, Rui Mão de Ferro e Gonçalo Ferreira, empresas do grupo Lena (Lena SGPS, LEC SGPS e LEC SA) e a sociedade Vale do Lobo Resort Turísticos de Luxo.

Em silêncio sobre Vale do Lobo, mas...

Joaquim Barroca invocou o seu estatuto de arguido para não se referir à operação de Vale do Lobo, durante a comissão parlamentar de inquérito à Caixa Geral de Depósitos (CGD). “Por uma questão de princípio, não vou falar de Vale do Lobo”, disse, quando questionado pelo deputado do PCP Duarte Alves. “Não me convide a dizer algo que seja mau para mim”, respondeu Joaquim Barroca ao deputado comunista.

Perante a menção à “questão de princípio”, o presidente da comissão parlamentar, Luís Leite Ramos (PSD), disse que “o argumento de princípio não é válido”, mas que o depoente estava “no direito de não querer responder”. Luís Leite Ramos lembrou ainda que Diogo Gaspar Ferreira, ex-presidente da sociedade de Vale do Lobo, falou na mesma comissão de inquérito sobre o resort.

O advogado de Joaquim Barroca, Castanheira Neves, explicou em voz baixa que o processo não estava em segredo de justiça, mas que, “nos termos do Código Penal”, o seu cliente não estava obrigado a responder. Joaquim Barroca afirmou, então, que Vale do Lobo “faz parte da acusação”, e que se reservava o direito de não se pronunciar sobre o assunto. 

Apesar disso, quando questionado por Mariana Mortágua sobre se conhecia o ex-presidente do empreendimento Diogo Gaspar Ferreira, Joaquim Barroca respondeu de forma idêntica. “Falei com ele uma ou duas vezes, mas em contexto de comprar lotes [no empreendimento] não”, esclareceu Joaquim Barroca, acrescentando que “nunca teria dinheiro para comprar nada em Vale do Lobo”.

Joaquim Barroca disse ainda que Hélder Bataglia não é uma pessoa da sua confiança e que teve contas na Suíça até 2012.

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