EUA ordenam retirada de pessoal diplomático do Iraque

Administração Trump diz que tem informações sobre a possibilidade de um ataque com o apoio do Irão. Alemanha e Holanda suspendem treino de forças iraquianas. Governo iraniano diz que os Washington está a fazer “guerra psicológica”.

Exército
Foto
O Departamento de Estado disse que a ordem diz respeito à embaixada dos EUA em Bagdad e ao consulado em Erbil Thaier al-Sudani/REUTERS

O Departamento de Estado dos EUA ordenou a retirada do Iraque do seu pessoal não essencial, na sequência de alertas sobre a possibilidade de um ataque contra alvos norte-americanos no país lançado por forças apoiados pelo Irão. A Alemanha e a Holanda anunciaram que suspendiam as operações de treino de militares no Iraque, por terem sido avisados do aumento de ameaças de forças apoiadas pelo Irão, num momento de escalada de tensões entre Washington e Teerão.

Em comunicado, o Departamento de Estado disse que a ordem diz respeito à embaixada dos EUA em Bagdad e ao consulado em Erbil. “A emissão de vistos comuns vai ser suspensa temporariamente”, diz o comunicado, que recomenda ao pessoal afectado que saia do país “o mais rapidamente possível” em voos comerciais.

Já um porta-voz do Ministério da Defesa alemão disse não ter indicações próprias de que haja ataques iminentes do Irão ou de seus aliados contra interesses ocidentais, pelo que os treinos de forças iraquianas poderiam ser retomados nos próximos dias. A Alemanha tem 160 soldados a treinar forças iraquianas, com o objectivo de conter militantes do Daesh, e a Holanda 169, incluindo 50 em Erbil, no Curdistão iraquiano, onde treinam milícias curdas. 

Nas últimas semanas, a Administração Trump tem divulgado informações pouco claras sobre a possibilidade de ataques contra interesses norte-americanos no Iraque e os cerca de 5000 soldados que mantém naquele país. Essa informação foi repetida na terça-feira pela Casa Branca, mas um comandante militar britânico, citado pela agência Reuters, disse duvidar que esteja em curso qualquer plano apoiado pelo Irão – e Teerão descreveu os avisos norte-americanos como “guerra psicológica”.

A tensão entre os EUA e o Irão agravou-se no último ano, desde que o Presidente norte-americano, Donald Trump, anunciou a saída do acordo internacional sobre o programa nuclear iraniano.

Depois disso, os EUA reinstauraram as pesadas sanções contra a economia iraniana, em particular sobre a venda de petróleo ao estrangeiro e sobre a capacidade de o país se financiar nos mercados internacionais.

Este ano, a Casa Branca pressionou ainda mais Teerão, pondo fim a uma excepção que permitia a cinco países comprarem petróleo ao Irão.

O reforço das sanções levou o Governo iraniano a anunciar, na semana passada, que iria suspender duas cláusulas do acordo sobre o seu programa nuclear, e a ameaçar rasgar o documento se a União Europeia não encontrar formas de compensar o país pelas perdas provocadas pelas sanções norte-americanas.

Na mesma altura, os EUA anunciaram o envio de um porta-aviões e quatro bombardeiros B-52 para o Golfo Pérsico.

Mas o primeiro-ministro iraquiano, Adel Abdul Mahdi, disse na terça-feira que tem recebido indicações, por parte dos EUA e do Irão, de que “as coisas vão acabar bem”.