Costa: “Se o PSD e o CDS votaram sem saber o que estavam a votar, emendem o erro”

Num jantar do Partido Socialista, o primeiro-ministro deixou críticas aos partidos.

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O primeiro-ministro discursou este domingo, horas após a declaração de Rui Rio, com críticas ao PSD e ao CDS. Num jantar que assinala a pré-campanha para as eleições europeias, em Campo Maior, Portalegre, o líder socialista comentou a crise política que está a agitar os partidos a propósito da votação do descongelamento das carreiras dos professores.

“Se o PSD e o CDS votaram sem saber o que estavam a votar têm uma solução muito simples: quando a votação chegar ao plenário votem contra e emendem o erro que cometeram votando o que não sabiam que estavam a votar”, desafiou António Costa, já depois da direita anunciar que iria recuar.

O primeiro partido a reconsiderar o seu voto foi o CDS. Assunção Cristas admitiu, neste domingo, que o CDS só votará a recuperação salarial dos professores do tempo congelado se forem aprovadas as suas condições de sustentabilidade financeira e de crescimento económico do país.

Depois seguiu-se Rui Rio, mas não sem antes de acusar o primeiro-ministro de ensaiar um “golpe palaciano” para perturbar “a campanha para as eleições europeias”. Rio disse ainda que, para si, em matéria de professores “é condição inegociável o equilíbrio das contas públicas” e recordou que “o travão financeiro à orgia orçamental foi reprovado pelo PS”.

No seu discurso, o primeiro-ministro sacudiu as acusações que tem recebido e recusa o rótulo de que a sua ameaça de demissão faz parte de uma estratégia eleitoral. António Costa admite até que os últimos dias poderão tirar votos aos socialistas. “Mas mais importante do eu perder um voto é perder a confiança que demonstramos merecer”, vincou o líder socialista.

“Sempre que pudemos fomos de facto mais longe do que aquilo que nos tínhamos comprometido a fazer nos acordos que assinámos com Os Verdes, com o PCP e com o Bloco de Esquerda”, garantiu António Costa, em resposta às críticas que chegaram também destes partidos à direita do PS e que já asseguraram que não irão recuar na votação no plenário.

Para o Bloco de Esquerda, não faz sentido que o Governo “crie instabilidade por uma medida sem reflexo” nas contas de 2019 e defendeu que a política não pode ser “um jogo, tem de ser responsabilidade”. Também Jerónimo de Sousa afirma que o PCP não está disponível para “andar para trás”. Este domingo, o líder comunista foi mais longe e acusou António Costa de estar a “destruir a ‘gerigonça'”.

Por sua vez, Costa agarra-se às contas do país e sublinha que o pagamento do tempo congelado “põe em causa também a reconquistada credibilidade internacional do nosso país”.

Costa insistiu que o projecto de lei “põe em causa a governabilidade do presente e condiciona de forma inadmissível a governação do futuro”. “Não, nós não podemos aceitar, nós somos o garante da confiança dos portugueses no compromisso de romper com a austeridade com contas certas, nós somos o garante para os portugueses da credibilidade internacional de Portugal.”

“Agora não queiram enganar nem os portugueses, nem os professores, porque virem agora falar de travões e condicionantes é confessarem aquilo que verdadeiramente era o seu projecto, uma mão cheia de nada para os professores e uma enorme conta calada para todos os portugueses terem de pagar”, disse.

“O PSD e o CDS começaram por dizer que nós mentíamos, que não era verdade, que não havia impacto orçamental, que não havia custos para ninguém, que só havia benefícios para a carreira dos professores, como se alguém pudesse acreditar que ao mesmo tempo era possível dar a uns sem que os outros pagassem. Obviamente quem mentia não éramos nós”, acrescentou.