Luís Montenegro tinha “dúvidas” sobre a reivindicação dos professores

Ex-líder parlamentar defendia aplicação da recuperação do tempo congelado a toda a função pública.

Luís Montenegro
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Nuno Ferreira Santos

No PSD ninguém assume que a imagem do partido está a ser colocada em causa na praça pública - e que isso é um risco para as eleições - mas já há quem defenda que Rui Rio deveria ter sido mais prudente na questão dos professores. Há quem lembre até que Luís Montenegro disse, quando desafiou a liderança de Rio, que tinha “dúvidas” sobre as reivindicações dos professores. 

O ex-líder parlamentar considerou, em Janeiro deste ano, em entrevista à TVI, que o mecanismo de recuperação do tempo congelado deveria ser aplicado a todas as carreiras da função pública. “Tenho muitas dúvidas na reivindicação dos professores”, disse. “Já percebemos que não há condições financeiras para acolher as pretensões dos professores, mas acho que devemos perceber uma outra coisa: deve ser aplicado aos professores um mecanismo de actualização das carreiras equivalente ao resto da administração pública”.

Depois de Rio ter feito aprovar uma moção de confiança à sua liderança, Luís Montenegro retirou-se do espaço mediático, posição que mantém nesta altura de crise política.

Ao longo dos tempos, o líder do PSD foi defendendo a contagem integral do tempo dos professores, mas fazia depender disso das condições financeiras do país. Foi esse o sentido da proposta do PSD, no âmbito das apreciações parlamentares ao decreto do Governo, mas que acabou chumbada pela esquerda.

Perante o cenário de demissão colocado pelo primeiro-ministro, os sociais-democratas lembraram até Passos Coelho que se recusou a sair do Governo depois da demissão de Paulo Portas em 2013. Em várias páginas de Facebook de deputados do PSD foi feita a comparação entre António Costa e o “estadista” Passos Coelho. Numa altura em que vários comentadores estão a apontar o dedo à “direita” e ao PSD em particular por terem aberto a porta a uma crise política, sociais-democratas contactados pelo PÚBLICO assumem esperar que Rui Rio saiba enfrentar a crise política com “frieza” para que o PSD tente sair airosamente da situação. Para já, o vice-presidente David Justino desafiou o PS a apresentar uma nova proposta. Os próximos dias, dizem as mesmas fontes, serão cruciais para o PSD.