Eurovisão: Marina Abramovic, Stephen Fry, Sharon Osbourne e Gene Simmons contra o boicote a Israel

A organização Creative Community for Peace (CCFP) divulgou um comunicado assinado por vários nomes da indústria do entretenimento a apelar contra o boicote da Eurovisão.

,Festival Eurovisão da Canção 2018
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A israelita Netta a ganhar a Eurovisão com Toy em 2018 Reuters/PEDRO NUNES

A organização Creative Community for Peace (CCFP), cujo objectivo é “contrariar o boicote cultural de Israel”, divulgou um comunicado assinado por vários nomes da indústria do entretenimento a apelar contra o boicote da Eurovisão. Entre os signatários encontram-se nomes como os da artista sérvia Marina Abramović, o actor Simon Callow, de Amadeus e Quatro Casamentos e um Funeral, o cómico e também actor Stephen Fry, a agente e estrela de televisão Sharon Osbourne, todos britânicos, bem como Gene Simmons, o israelo-americano baixista dos KISS, a cantora/compositora espanhola Conchita (não confundir com Conchita Wurst, a vencedora da Eurovisão de 2014) ou Scooter Braun, o agente de Justin Bieber e de Ariana Grande. Esta carta junta-se, dizem, a duas outras petições, uma sobre a Eurovisão assinada por 15 mil pessoas e uma anti-boicote geral assinada por mais de 35 mil pessoas.

Na carta, publicada na íntegra esta terça-feira no site da organização, afirma-se que estes nomes acreditam “que a música é a nossa língua partilhada, uma que transcende fronteiras e junta as pessoas debaixo de um elo comum”. "Acreditamos que eventos unificadores, como competições de canto, são cruciais para ajudar a fazer a ponte entre as nossas divisões culturais e juntar pessoas de todas as origens através do seu amor partilhado pela música”, continuam, alegando que a Eurovisão “encarna este poder unificador”.

“Infelizmente, este ano, o espírito de unidade está debaixo de ataque por aqueles que pedem para boicotar a Eurovisão em 2019 porque está a ser realizada em Israel, subvertendo o espírito do concurso”, afirmam, transformando “uma ferramenta de unidade numa arma de divisão”. Para eles, “o movimento de boicote cultural é uma afronta tanto aos palestinos quanto aos israelitas que estão a trabalhar para o avanço da paz através do compromisso, da troca e do reconhecimento mútuo”.

A CCFP é um movimento que se apresenta apolítico, algo sublinhado no comunicado: "Ainda que possamos todos ter opiniões divergentes quanto ao conflito israelo-palestiniano e o melhor caminho para a paz, todos concordamos que um boicote cultural não é a resposta.”

Na entrada do blogue relativa à carta, a organização relembra que, em Janeiro, BBC já tinha reiterado o apoio a esta edição da Eurovisão, salientando os “valores de amizade, inclusão, tolerância e diversidade” que o festival “encarna”. Isto após um apelo em Janeiro para que a estação de televisão pública britânica nem sequer fizesse a cobertura da Eurovisão caso esta não fosse mudada para outro local que não Israel, numa carta assinada por nomes como a estilista Vivienne Westwood, o músico Peter Gabriel, a actriz Julie Christie ou o realizador Mike Leigh. "Não podemos ignorar a violação sistemática dos direitos humanos palestinianos pela parte de Israel”, diziam.

Outro dos signatários dessa carta de Janeiro era Roger Waters, o músico que em Março apelou directamente a Conan Osiris, o representante português, a não ir a Israel, tendo também pedido a Madonna que não actuasse na final. Ao que se sabe nenhum respondeu ao ex-Pink Floyd.

Em Novembro, vários artistas portugueses, entre nomes como José Mário Branco, Tiago Rodrigues ou Maria do Céu Guerra, também pediram à RTP que boicotasse a edição de 2019 se não fosse mudada de lugar.

O festival realizar-se-á este ano em Telavive, Israel, após a vitória, no ano passado, de Netta Barzilai, que cantou Toy em Lisboa. As semifinais são a 14 e 16 de Maio, enquanto a final será no dia 18. Será na primeira semifinal que Conan Osiris cantará Telemóveis, a canção que o sagrou vencedor da edição deste ano do Festival da Canção, em Março.