Madonna vai actuar na final da Eurovisão em Israel

A final do Festival Eurovisão da Canção, marcada para 18 de Maio em Telavive, irá contar com uma actuação de Madonna. Várias organizações e artistas de todo o mundo têm apelado ao boicote à edição deste ano, acusando Israel de impor aos palestinianos um sistema de apartheid.

,Música
Foto
Reuters/Carlo Allegri

A cantora Madonna vai actuar na final do Festival Eurovisão da Canção, em Maio, em Telavive, Israel, confirmou esta segunda-feira a KAN, estação pública de televisão israelita. A notícia de que a “rainha da pop” iria actuar na final do concurso já circulava há várias semanas, mas só esta segunda-feira foi confirmada oficialmente.

De acordo com a KAN, numa notícia publicada no site da estação, Madonna deverá aproveitar a ocasião para apresentar duas músicas, uma das quais do seu próximo álbum. O seu último disco de originais remonta já a 2015, quando lançou Rebel Heart.

Em 2018, quando completou 60 anos, Madonna disse, em entrevista à revista italiana Vogue, que a temporada recente em Lisboa, onde tem estado a viver há mais de um ano para acompanhar o percurso desportivo de um dos filhos adoptivos, jogador do Benfica, a influenciou no processo criativo do próximo álbum.

“Conheci imensos músicos maravilhosos e acabei por trabalhar com muitos deles no meu novo disco, por isso, sim, Lisboa influenciou a música e o meu trabalho. Como não influenciaria? Não sei como é que eu teria passado este ano sem ter conhecido toda esta cultura”, disse a cantora norte-americana.

Sem revelar especificamente quem participa no novo álbum, a cantora tem vindo a divulgar na Internet, em particular na rede social Instagram, informações relacionadas com artistas portugueses que conheceu nos meses em que tem estado a viver em Portugal, como Dino d'Santiago, Celeste Rodrigues, Ricardo Toscano, Gaspar Varela ou as batucadeiras de Cabo Verde.

Este ano o Festival Eurovisão da Canção decorre em Israel e é organizado pela União Europeia de Radiodifusão em parceria com a KAN. Israel acolhe o concurso, depois de o ter vencido pela quarta vez no ano passado com o tema Toy, interpretado por Netta.

O festival é disputado nesta edição este ano por 41 países, incluindo Portugal, representado por Conan Osiris, que interpretará o tema Telemóveis na primeira semifinal, marcada para 14 de Maio. A segunda semifinal decorre dois dias depois e a final está marcada para 18 de Maio.

Várias organizações de todo o mundo têm apelado ao boicote à edição deste ano precisamente por se realizar em Israel. Em Janeiro, mais de 60 organizações, a maioria de defesa dos direitos LGBTQIA, de vários países, Portugal incluído, apelaram aos membros daquela comunidade para que boicotem o concurso.

Em Junho do ano passado, diversas organizações culturais palestinianas apelaram ao boicote ao concurso, sublinhando que “o regime israelita de ocupação militar, colonialismo e apartheid está descaradamente a usar a Eurovisão como parte da sua estratégia oficial Brand Israel", que tenta mostrar, alegam, “a face mais bonita de Israel” para branquear e desviar a atenção dos seus crimes de guerra contra os palestinianos”.

Em Setembro, mais de uma centena de artistas de todo o mundo manifestaram apoio a este apelo. E vários artistas portugueses apelaram, em Novembro, numa carta aberta dirigida à RTP, enquanto responsável pela escolha do representante nacional, ao boicote de Portugal ao Festival Eurovisão da Canção.

Também a BBC recebeu uma carta aberta na qual várias personalidades, incluindo a designer de moda Vivienne Westwood, o músico Peter Gabriel, o realizador Mike Leigh e a banda Wolf Alice, instavam a estação a pedir à organização que alterasse a localização da edição de 2019 do concurso.

Mais recentemente, em Março deste ano, o músico britânico Roger Waters, um dos fundadores dos Pink Floyd, dirigiu uma carta aberta a Conan Osiris e aos outros finalistas, na qual revelava que tinha escrito “há alguns dias”, uma carta particular ao “jovem e talentoso cantor português”. Pedido secundado, no final de Março,  por 40 criadores portugueses de diversas áreas, 

Roger Waters considera que, entre os finalistas da Eurovisão, o representante português é aquele que tem “amor suficiente no coração para se erguer e fazer a diferença”, ao “defender o lado certo da história”, bastando-lhe, para isso, “fazer a coisa certa” e ser “o tal”.

Até hoje, Conan Osiris não respondeu ao apelo de Roger Waters. Numa entrevista a um canal de televisão israelita, quando questionado sobre se era verdade que o músico britânico lhe tinha enviado uma carta, respondeu: “Bem, é o que se vê”. De acordo com o regulamento do concurso, os concorrentes não podem tomar posições políticas, correndo o risco de serem desclassificados.