Duarte Lima: o pobre que enriqueceu enquanto político

Duarte Lima nunca ocupou um cargo de governação, mas durante os executivos de maioria absoluta de Cavaco Silva foi um dos homens mais poderosos no PSD.

Domingos Duarte Lima
Fotogaleria
Em Outubro de 2005, como deputado DANIEL ROCHA
Fotogaleria
Maio de 2007, com o então primiero-ministro José Sócrates no Hospital Pulido Valente, em Lisboa, no âmbito de uma campanha de angariação de dadores da Associação Portuguesa contra a Leucemia NUNO FERREIRA SANTOS
Fotogaleria
Em Novembro de 2004 no XXVI Congresso do PSD, com SANTANA LOPES FERNANDO VELUDO
Fotogaleria
Em Maio de 2013, no início do julgamento do caso Homeland Enric Vives Rubio

Domingos Duarte Lima, que se entregou na prisão esta sexta-feira, nasceu no seio de uma família pobre, com nove filhos, no Peso da Régua, distrito de Vila Real, em 1955. Durante a sua passagem pela política, sempre no PSD, tornou-se um homem abastado, não se coibindo de ostentar a sua fortuna. Os muitos casos judiciais em que esteve e está envolvido indicam que a riqueza que acumulou não terá sido conseguida de uma forma lícita.

Nunca escondeu que conseguiu vir estudar para Lisboa, em 1974, onde se licenciou em Direito, graças ao apoio de uma família de Miranda do Douro que lhe sustentou os estudos. Nesse ano filiou-se no PSD. 

Esta sexta-feira ficou a saber-se que o PSD vai avançar com um processo de expulsão de Duarte Lima conforme prevêem os estatutos para militantes condenados em casos de corrupção. Duarte Lima tem, segundo os estatutos, “direito de defesa” e de ser ouvido “antes de decidida a aplicação de qualquer sanção disciplinar”. O prazo para a instauração do Processo não pode exceder um ano desde a comunicação dos factos ao órgão jurisdicional de disciplina ou do conhecimento da infracção disciplinar pelo mesmo.

O PÚBLICO tentou falar com o secretário-geral do PSD, para saber exactamente quando avançou o processo e se Duarte Lima já foi ouvido pelo partido, mas José Silvano não respondeu às chamadas telefónicas.

Duarte Lima foi adjunto do ministro da Administração Interna com Eurico de Melo entre 1980 e 1981, cargo que continuaria a ter com outros governantes nos anos seguintes. Ângelo Correia, como ministro da Administração Interna, nomeou-o assessor político e de imprensa. Em 1983 foi eleito pela primeira vez deputado à Assembleia da República, pelo círculo de Bragança.

Durante os governos de maioria absoluta de Cavaco Silva, ganhou grande peso no partido, chegando a vice-presidente. Foi também líder do grupo parlamentar entre 1991 e 1994 e presidente da distrital de Lisboa do PSD. Dez anos depois de entrar para a política era já detentor de um vasto património imobiliário e de uma riqueza que não coincidia com os rendimentos que declarava ao Tribunal Constitucional.

Nas primeiras páginas dos jornais choviam casos de alegada corrupção em que estaria envolvido. Ficou célebre um pedido de interferência num concurso público em Trás-os-Montes que um construtor civil de Mogadouro lhe pedia, mas cujo fax foi enviado por engano para o grupo parlamentar do PS.

Em Novembro de 1998 foi-lhe detectada uma leucemia em estado avançado, o que o obrigou a um internamento imediato de seis meses. Após um transplante acabou por recuperar da doença e retomar a sua actividade partidária e fundou a Associação Portuguesa Contra a Leucemia e do Conselho de Ética do IPO, Lisboa.

Duarte Lima foi também docente universitário e membro da Delegação Portuguesa à Assembleia da NATO.