Com 163.000 inscritos

Portugal ocupa segundo lugar no Registo Europeu de Dadores de Medula

Cerca de 70 por cento da actividade do Cedace é para doentes no estrangeiro
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Cerca de 70 por cento da actividade do Cedace é para doentes no estrangeiro Fernando Veludo (arquivo)

Portugal detém a segunda posição no Registo Europeu de Dadores de Medula entre os 14 principais países da Europa, contando em Maio passado com 163.000 inscritos para doação, revelou hoje o administrador da Associação Portuguesa Contra a Leucemia (APCL).

Domingos Duarte Lima avançou estes números na sessão de apresentação, em Lisboa, do IV Concerto de angariação de fundos da APCL, que terá lugar no próximo dia 2 de Julho no Pavilhão Atlântico, no Parque das Nações, com a participação de vários artistas, entre os quais Rui Veloso, Luís Represas, Camané, Mariza, Pedro Caldeira Cabral e José Cura.

Na semana que antecede o concerto terá lugar, através do site da RTP e do portal Sapo, um atendimento telefónico solidário com a causa da APCL e um leilão de peças e obras de arte doadas por figuras públicas e artistas, como o mestre escultor Francisco Simões, Graça Morais, Sobral Centeno e Teresa Magalhães, entre outras figuras públicas ligadas à música e ao futebol, no âmbito da campanha "Solidários até à Medula".

Duarte Lima, um dos fundadores da associação, depois de ter padecido de Leucemia, classificou de "extraordinários" os números relativos a dadores, sublinhando que desde o último concerto bianual da APCL, em 2007, e Março deste ano, 90.000 portugueses tornaram-se dadores de medula óssea, elevando de 65.000 para 163.000 o número total, o que representa 15.642 doadores por milhão de habitantes.

"O sucesso do Registo de Dadores é uma coisa extraordinária, porque Portugal passa de último lugar em 2002 para segundo registo europeu neste momento", congratulou-se Duarte Lima, explicando: "Passámos de um universo de 1377 dadores em 2002 para 163.00 hoje".

O administrador da APCL sublinhou que 129 transplantes para não irmãos foram feitos com dadores portugueses, a maioria em Portugal, mas também em mais 17 países do Mundo. Até Março deste ano, Portugal beneficiou de 54 transplantes de medula no âmbito da rede mundial, que abrange países europeus e outros, como os EUA, a África do Sul, a Argentina, Austrália ou a Índia. "Significa que há hoje mais de 100 pessoas vivas graças a este gesto dos dadores portugueses e à sua generosidade", declarou.

Mil novos casos de leucemia por ano

Segundo os números apresentados por Duarte Lima, Portugal regista anualmente mil novos casos de leucemia. O responsável da associação explicou que um em cada quatro irmãos é compatível para transplantes, mas que quando não existem irmãos o caso torna-se "muito mais difícil", pois "pode ser necessário pesquisar 100.000, 200.000, 500.000 ou mais de um milhão de dadores para encontrar um compatível".

Hélder Trindade, do Centro Nacional de Dadores de Células de Medula Óssea (Cedace), que participou na cerimónia de apresentação do IV Concerto da APCL, juntamente com o professor António Coutinho e os músicos Luís Represas, Camané e Rui Veloso, sublinhou também o facto de em Portugal existirem actualmente 163.000 dadores, numa população de 10,5 milhões de habitantes, o que coloca o país numa "posição muito confortável" a nível mundial.

"A actividade do Registo em si está a crescer proporcionalmente a este número. Ultrapassámos já as 40 colheitas ano e este ano, provavelmente, com os indicadores do primeiro trimestre, vamos continuar a ajudar mais doentes", afirmou, sublinhando que "é importante ter a noção de que este número pôs Portugal a nível internacional numa posição de cooperação com os outros Registos na grande rede que é a rede internacional de ajuda a estes doentes".

O mesmo responsável referiu que 70 por cento da actividade do Cedace é para doentes no estrangeiro, mas também os doentes portugueses recebem doações do estrangeiro. "Isto dá uma ideia de que é um esforço mundial, é um esforço para dar esperança a todos os doentes que necessitem desta actividade, porque podem crer que é um grande cruzamento de dados internacional para ajudar todos os doentes", declarou.

Hélder Trindade destacou que desde que as campanhas tiveram início, em 2002, "as pessoas aperceberam-se de que a doação de medula óssea não tem riscos para o dador". "Rapidamente a população percebeu que ser dador é tão fácil como doar a partir das veias do braço as células que podem servir para salvar a vida a alguém", concluiu.